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Clássicos modernos: Carne Trêmula (1997)

by on setembro 27, 2013
 

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O polêmico diretor espanhol Pedro Almodóvar (Matador, A Pele que Habito, Volver, Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos e outros) que também assina como roteirista de suas obras,  produziu um pesado e sensual filme em 1997 que explora assuntos delicados na sociedade. Essa produção marcou sua transição do cinema cômico para temas mais maduros. Tendo o costume de explorar profundamente a alma feminina, Almodóvar quebra um pouco essa tendência com o filme Carne Trêmula.

A história começa na Madri de 1970, período conturbado na história da Espanha. Uma prostituta (Penelópe Cruz) encontra-se tão angustiada com as dores do parto que ignora o toque de recolher  e tenta ter seu filho em um hospital, mas acaba o tendo em um ônibus. Já mais velho, a criança que nasceu sob as rodas, ironicamente tendo direito a vale transporte vitalício por causa do evento, Victor (Liberto Rabal), se tornou um rapaz tímido e desesperadamente apaixonado por uma desconhecida com quem havia tido relações. A mulher com quem Victor se envolvera era Elena, filha de um embaixador italiano e dependente química. Para complicar a situação ela não se recorda de seu envolvimento com o jovem  e que tinha deixado com ele seu endereço e telefone. A jovem mulher fica nervosa com o rapaz que tenta incansavelmente vê-la, o que acaba resultando na entrada não autorizada de Victor no prédio da bela moça, e essa o aborda com uma arma. Após um tiro incidental, o embate entre Elena e Victor é interrompido pela dupla de policiais Sancho (José Sancho) e David (o ótimo Javier Bardem), que trazem seus problemas a discussão dos jovens, já que David está dormindo com a mulher de Sancho, Clara (Ángela Molina). O resultado deste choque de problemas existenciais  são uma série de tragédias que interliga as histórias dessas cinco pessoas. E isso é apenas o começo do filme.

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A obra de Almodóvar é baseada no livro noir da inglesa Ruth Rendell. Esse filme, apesar dos pesares, traz um clima mais leve que o livro, o roteiro adaptado pelo diretor é totalmente infiel ao original, como o próprio espanhol admite, mas traz uma abordagem que busca desenvolver e focar mais nos relacionamentos humanos, como é de costume de Pedro Almodóvar. A atuação de todos envolvidos na obra é impecável, o que traz realismo até para as cenas mais esdrúxulas. Essa produção faz parte da considerada fase madura de Almodóvar, e diferente de outras obras de sua autoria, como a Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, o filme peca de situações cômicas, o que o deixa um tanto tedioso em certos momentos. O cineasta não decepcionando  seus fãs, mas os não acostumados com sua obra terão um pouco de dificuldade com o filme, mesmo esse tendo um desfecho compensador e impactante. O almavodorismo tende agradar ou irritar, raramente deixando o espectador da obra na imparcialidade, de qualquer modo essa obra tende mais para a primeira opção, felizmente.

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