3 comentários

Crítica – Confissões de uma Garota de Programa (Sasha Grey atuando de roupa, ou quase isso)

by on março 23, 2014
 

Compartilhe!Share on Facebook4Tweet about this on TwitterShare on Google+0

Então amigos da rede mundial, daqui a pouco teremos mais um filme da Sasha Grey saindo no mercado, e calma, calma nessa hora, ela vai estar de roupa, na maior parte do tempo, e atuando sério. Pois é pessoal, Miss Grey  não é mais a rainha do pornô, essa profissa agora é uma atriz profissional e a dona dá uma performance convincente, trocadilho não intencional, eu acho.  Na espera do lançamento de Open Windows, bora conferir um dos filmes anteriores de Marina Ann Hantzis, o nome real de Sasha Gray, quer dizer Anna Karina, ops, Sasha Grey. Por que pornstars tem tantos nomes artísticos?

confissões de uma

Pôster de Confissões de uma Garota de Programa

Confissões de uma Garota de Programa (2009, “The Girlfriend Experience” no original) é um drama experimental que se passa na crise econômica de 2008 nos EUA, então é claro que teremos muitas pessoas gananciosas nesse longa. Nessa história temos Sasha Grey como Chelsea “de noite” e Christine “de dia”, se é que você me entende (mais claro que isso só dizendo que Chelsea é o nome de garota de programa dela, o que eu acabei de fazer, ok então). Sendo uma acompanhante de luxo, Chelsea tem que equilibrar sua vida entre seus clientes e seu namorado personal trainer, e no meio tempo ela escreve um diário sobre seus fregueses. Para complicar, ela começa a sentir desejo real por um de seus clientes, um escritor casado e começa a ser entrevistada por um jornalista interessado em sua vida peculiar.

Ah, vale colocar aqui, o título original do filme “The Girlfriend Experience” é literalmente pagar para a profissional do “sequiço” haja como se fosse a namorada do cliente, demonstrando sentimentos (artificiais claro) pelo pagante e intimidade bem além do ato sexual.

greysantossoderbergh

Os atores Chris Santos e Sasha Grey com o diretor Steven Soderbergh ao meio.

Esse é o vigésimo filme de Steven Soderbergh, sim o cara que filmou a trilogia “Onze Homens e Algum Número de Segredos”, mas se você espera algo na linha daquelas comédias, pode escolher outra obra para ver, esse filme é o oposto daquelas produções, ainda mais por ter um orçamento pífio, uma proposta mais pé no chão e nenhuma linearidade na narrativa. E ao invés de um elenco de estrelas como na saga “Onze e blá, blá, blá”, aqui não há atores profissionais, a mais próxima disso é a própria Sasha. O longa ainda foi filmado em apenas 16 dias, isso que é querer ser diferente. Esse filme estende o interesse de Soderbergh por atores não profissionais e atuações mais naturais, algo parecido com o que ele fez em Schizopolis (1996) e em Traffic : Ninguém Sai Limpo (2000 e pra que esse subtítulo distribuidoras nacionais?). Nas palavras do próprio Soderbergh, para gravar esse filme ele “só quis contratar pessoas reais e deixa-las à vontade”.

O filme tem um visual bem intimista, passando um ar realista e moderno. O clima da narrativa é bem descolado, as conversas são o destaque e não o desenvolvimento da história. Se você não tem saco para trivialidades, esse não é seu tipo de filme.

grey1

É uma obra bem interessante, pois mostra o dia o dia de uma acompanhante. Chelsea é bem desenvolvida, alguns detalhes de sua origem ficam em mistério, mas tirando esses pormenores a escort de luxo tem muitas nuances, sendo uma personagem extremamente interessante e que só funciona devido a atuação mais do que eficiente de Sasha Grey.  A atriz fornece credibilidade para a personagem ambígua, superficial e ambiciosa prostituta que tenta sobreviver num EUA pós-Obama e pós-estouro da bolha imobiliária. A relação de Chelsea com seus clientes e outros profissionais do mundo escort são mostradas aos poucos e fora de ordem. Aliás, a linha de tempo desse filme pode ser bem confusa para quem não o vê de forma atenta, mas fica a dica, preste atenção na roupa dela, pois é, quem diria? A ordem dos acontecimentos fica de boa.

Esse é um pequeno projeto, que mesmo com baixo orçamento e recursos é muito inteligente e possui uma edição complexa com ritmo ágil e intrigante. A trilha é bem bacaninha, nada de surreal, mas vale o destaque para a sequência com o baterista de rua, confira o áudio dessa parte abaixo.

É um filme bem bonito para a era digital, ainda mais por ter sido filmado totalmente digitalmente, nada de saudosismo com a película. Engraçado que lembra algo mais do período Bergman do que a geração Vingadores. Nada contra a nenhum dos dois estilos, mas que são bem distintos eles são.  No fim das contas não diz nada mega profundo, mas o jeito que é dito, é foda, e traz uma atuação real de quem manja um bocado do mundo do “entretenimento” adulto. O desfecho é meio sem graça, contudo a jornada vale a pena.

Nota: 4/5

Trailer desse filme sexy

sashagrey

Ei, a Dona Grey escreveu um livro também sabia? Para saber qual é dessa obra clique aqui. 

Compartilhe!Share on Facebook4Tweet about this on TwitterShare on Google+0

Deixe uma resposta