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Crítica – Habi, A Estrangeira (2013)

by on dezembro 20, 2013
 

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Habi, A Estrangeira (Habi, la extranjera no original)  é no mínimo curioso. Uma introvertida jovem argentina, Analía (Martina Juncadella),  que mora no interior vai para a capital entregar algumas encomendas feitas pela sua empregadora, Hilda. A jovem Anália parece totalmente deslocada em Buenos Aires e deixa transparecer seu desconforto com grandes multidões e algazarras. Ao entregar um pacote em uma comunidade muçulmana, durante um funeral, a garota se encanta com a receptividade e carinho com que lhe tratam. Carecendo de boas influências em sua vida e na esperança de algo melhor, de forma rápida, a garota decide adotar, do nada, a identidade de uma muçulmana. Para isso ela pega “emprestado” o nome de uma garota desaparecida que ela viu no mural da comunidade, e a partir de então ela se torna Habiba Rafat, ou Habi para os íntimos.

A ideia do filme é bem bolada. Mostra um plano que só poderia ser arquitetado por uma jovem, pois não há pensamento algum nas consequências e naqueles a sua volta. É um filme todo feito de silêncios, apesar de possuir apenas uma hora e meia de produção o tempo parece triplicar-se nessa obra. Em alguns momentos isso funciona, é um longa sem pressa, o que entra em conflito direto com nossa sociedade ocidental, algo que a própria protagonista quer escapar. Em compensação na hora de fechar as pontas, o desfecho mais que previsível demora horas para chegar onde precisa, o que incomoda um pouco, não a nível de estragar a experiência.

Esssa co-produção Brasil-Argentina é um dos raros “filmes de personagens”, que não estão tão em voga hoje em dia, ou seja, é um filme onde tudo é visto pela perspectiva de Analía, muitas vezes colando a câmera com seu olhar. A diretora iniciante Maria Florencia Alvarez trabalha bem com a trama escassa que esse filme apresenta, e aproveita para aprofundar nas peculiaridades dos personagens errantes dessa trama, principalmente a protagonista. É um conto sobre a dificuldade de relacionamentos.

O bom desse filme é que mostra um olhar estrangeiro na religião alheia, e para variar um pouco, mostra os aspectos positivos de uma prática religiosa. Algo que tem sido malhado, muitas vezes com razão, constantemente na mídia atual, apesar de que com isso esquecemos que a intenção de quase todas as práticas religiosas é um guia para vida melhor, e isso tem um valor inestimável.

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Martina Juncadella, a atriz protagonista, atua com uma leseira inacreditável, contudo isso é intencional no personagem, que não sabe seu lugar no mundo e deseja uma nova identidade do dia para a noite, sem ter pensando muito no assunto. Não é um filme mirabolante, não haverá altas confusões com trocas de identidade e tal, é apenas uma experiência de uma jovem em tentar ser outra pessoa, com as alegrias e frustrações que isso traz.

Não é um filme para muitos, é uma obra que exige muita paciência, mas compensa esse esforço com uma reflexão do mundo em que vivemos e as diversas formas de encara-lo. Essa produção ainda traz Maria Luísa Mendonça como a vizinha da pensão, uma “mulher de malandro”, o mundo em que essa personagem vive aparentemente é tudo que Habi quer evitar. Mesmo assim, a trancos e barrancos, as duas até que se entendem. Se quiser experimentar algo diferente e conhecer um pouco da religião mulçumana, Habi – A estrangeira, com sua lentidão tão fora do cinema que estamos acostumados hoje em dia, pode ser uma boa pedida.

Nota: 3/5

Trailer da produção

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