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Crítica – Amy (Documentário, 2015)

by on julho 24, 2015
 

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Ainda sem previsão de estreia no Brasil. 2h7min de duração

“Amy” é um documentário devastador sobre a talentosa cantora e compositora britânica Amy Winehouse que faleceu precocemente em 2011, com apenas 27 anos. Nesse filme vemos uma faceta mais leve de Amy, assim como seu sofrimento com a dependência química e a exploração de sua dor através dos paparazzi. Aliás, algumas das fotos desses “fotógrafos das celebridades” aparecem no filme e não é nada fácil ver o aspecto agonizante da cantora de jazz. O cineasta Asif Kapadia deixa no ar a questão de que se o público desejava ver Winehouse em um estado decadente, já que, bem ou mal, todos acompanharam ela morrendo lentamente. O longa é um trabalho de reconstrução dos altos e baixos de Winehouse, para tal contou com a colaboração do polêmico ex-marido de Amy, Blake Fielder-Civil, e os pais da cantora, Mitch e Janis Winehouse.

Os pais da artista não ficaram muito felizes com a retratação da família no longa, apesar de ser meio difícil negar que eles poderiam ter ajudado mais a musicista, pelo que é mostrado no filme. Segundo a declaração do próprio Mitch Winehouse, eles não acreditavam que ela tinha um problema. Assim como o ex-marido da cantora. E isso só ajudou no vício de Amy. O que pode ser questionado no documentário é a aparente falta de remorso dessas pessoas, o que talvez tenha sido uma escolha de corte do diretor para deixar a situação ainda mais dramática. Cabe ao espectador julgar se o cineasta foi injusto ou não na retratação deles.

O diretor responsável por “Amy”, Kapadia, ganhou fama internacional graças a seu documentário sobre nosso ídolo das pistas, o saudoso Ayrton Senna, no filme “Senna”. Aqui nesse novo longa, mesmo com a vida de Winehouse tendo sido mostrado por vários meios da mídia através dos anos, Asif Kapadia consegue mostrar muito material inédito e um outro ângulo da celebridade. Ver o amor da jovem Amy pelo jazz e por compor sua própria obra é para tocar qualquer um que aprecie a arte da música, seja de forma profissional ou não. Amy Winehouse não queria ser uma pop star, não queria ser famosa. Mas a fama era inevitável, como o filme deixa bem claro.

O longa é mais do que um conto triste, mostra os primórdios da cantora e como ela já tinha um vozeirão desde a mais tenra idade. Só escutar ela cantando “Happy Birthday” aos 14 anos, dá para notar que a moça era um gênio precoce. O longa também explora a amizade de Winehouse e seu empresário Nick Shymansky, que começou quando ela tinha 16 anos e ele 19. Graças a Shymansky o filme conta com o acesso a todo acervo musical de Winehouse e, assim, o documentário ganha muito mais peso.

A obra não perde foco ao mostrar pelo que Winehouse passou, tendo como auxilio em tal empreitada fotos de arquivos, vídeo caseiros da cantora, material de diversos shows, entrevistas e sessões de gravações de discos da musicista. Com destaque para muitos vídeos digitais gravados pelos amigos e por Shymansky, que fornecem uma visão bem pessoal da cantora, quase como se fosse um diário.

“Amy” é uma experiência intimista, desde a fase tímida de seus primeiros sucessos até sua ascensão e queda. O filme faz questão de lembrar que mesmo sendo uma celebridade, Amy era antes de tudo um ser humano, com seus acertos, erros, lado comédia, opiniões, talentos e defeitos. É peculiar ver como Amy era muito engraçada nos momentos íntimos, com bastante autocrítica e medo da fama subir à cabeça. Infelizmente o sucesso chegou rápido e afetou a vida de Winehouse sem misericórdia. O lado bom da fama também é mostrado, como conhecer grandes talentos da área. O cineasta Asif Kapadia aproveita para mostrar a relação de Amy com outros músicos, como o rapper Mos Def e o lendário Tony Bennet, um dos maiores cantores de jazz da história. Também participam do filme outros dois artistas que eram próximos da cantora, os músicos britânicos Mark Ronson e Tayler James.

Os tabloides possuem uma grande importância nessa obra, já que esses foram quem mais acompanharam a transformação de Amy. Infelizmente focando apenas no lado negativo. Também é visto as duas faces de algumas pessoas, como a do apresentador Jay Leno que um dia celebrava a cantora no seu programa e no outro fazia piadas agressivas sobre a condição de Winehouse. No fim das contas o documentário passa a ficar meio difícil de assistir, quase intrusivo, bem longe do lado pessoal e acolhedor que vimos no começo da projeção. No entanto esse desconforto é essencial para o filme e para nós. A vida e morte de Amy Winehouse é uma história trágica contemporânea e provoca uma discussão interessante sobre o limite da intimidade de uma pessoa pública. Claro que Winehouse aproveitou dos benefícios de ser famosa, mas a que custo?

Vai ser difícil escutar “Rehab”, a mais famosa música de Winehouse, de forma casual depois de assistir “Amy”. A música ganha outro sentido após ver esse filme. A composição era um grito de ajuda, que acabou virando apenas mais um hit musical para muitos e uma piada para outros. Falando sobre música, esse é o legado principal de Winehouse e o filme acerta em cheio nesse quesito. Vemos no longa os primeiros trabalhos e as composições mais marcantes da estrela. Com a letra de cada música aparecendo na tela, a evolução dessa cantora é visível para qualquer um. Amy Winehouse era uma brilhante compositora, que sempre esteve realmente mais feliz no estúdio, como a produção deixa evidente. Tente ver a cena da gravação de “Back to Black” sem se emocionar, é quase impossível.

Amy Winehouse era mais do que uma voz, era uma verdadeira artista. Uma artista complexa, inspiradora e contraditória, que merecia mais do que teve dos tabloides e de comediantes frustrados. Ela não era inocente, claro, no entanto era muito mais do que seus defeitos. Ela foi uma das maiores compositoras e interpretes que o mundo do jazz já teve. “Amy” é um filme triste que deve ser visto por todos que amam escutar belas músicas. É um pesado lembrete do que perdemos.

Trailer legendado de “Amy”

 

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