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Oscar 2015 – Críticas dos concorrentes – Parte 01 – Sniper Americano e Foxcatcher

by on janeiro 23, 2015
 

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Demoramos para voltar, não é mesmo? De qualquer modo o vagantePop está de volta. E para começar 2015 com o pé direito iremos analisar todos os concorrentes ao Oscar de Melhor Filme em 2015… +Foxcatcher que eu cismei que estava concorrendo na categoria principal, vai entender. Preparados? Então vamos começar:

Sniper Americano

 

Concorrendo em seis categorias do Oscar, “Sniper Americano” é o novo filme do veterano diretor Clint Eastwood, e melhor estreia do cineasta nas bilheterias americanas. O filme estreou nos EUA com polêmica devido a seu alto tom patriótico, sendo comparado com algo no nível de uma “propaganda nazista”. Exageros à parte, o longa é um bom drama biográfico com cenas de ação ou apenas um veículo para os americanos botarem pra fora seu patriotismo exacerbado?

A força de um ídolo surge de quanto mais humano ele é. E Clint Eastwood sabe extrair o máximo de histórias que envolvem figuras fortes e sofridas. Não é à toa que Eastowood escolheu dar vida nas telonas a história do militar Chris Kyle. E qual é desse sujeito e sua trajetória? Chris Kyle (Bradley Cooper) é um atirador de elite das forças especiais da marinha dos Estados Unidos. Em dez anos de serviço (1999-2009) o sniper se tornou uma lenda, tendo assassinado mais de 150 pessoas durante o tempo em que serviu no Iraque. Kyle recebeu diversas condecorações por sua atuação. O filme é uma adaptação do livro American Sniper: The Autobiography of the Most Lethal Sniper in U.S. Militar History, escrito pelo próprio militar. O longa passa a tensão que o militar descreve nas páginas de seu livro e a esposa do militar elogia a performance de Bradley Cooper, dizendo que o ator captou com precisão os maneirismos de seu marido.

A  principal força do longa está em Cooper. O ator está totalmente imerso em seu personagem e convence o público de que ele é capaz de acertar os alvos em longas distância e em situações críticas. Sem contar que é duro de acompanhar alguém que vive com a culpa constante de ser o ceifador de tantas vidas. As cenas que retratam o momento de espera para realizar o “serviço” com close-ups no dedo no gatilho, seguindo o alvo pela mira e as consequências morais que o tiro provoca são de grande sensibilidade e muito bem executadas.

O roteiro de Jason Hill é muito preciso nas sequências militares mas não tem tanto impacto nas cenas de família. Kyle retorna para casa e para sua esposa Taya (Sienna Miller) e adiciona mais um filho na família. A esposa sempre reage da mesma forma, apaixonada, depois se questionando e então arrependida. Faltou profundidade nesse personagem, deixando muito da carga emocional dessas cenas na atuação silenciosa de Cooper. Se houvesse mais química no casal nos importaríamos mais com essas sequências.

Em compensação, as partes de combate são excelentes. São extremamente longas, o que nesse caso funciona pois passa para o espectador parte do cansaço do protagonista. Ou seja, o combate é tenso, com closes claustrofóbicos nos personagens e tudo muito bem executado. O grande “vilão” do filme é mostrado de uma maneira meio cartunesca, tira um pouco da imersão no filme, mas conhecendo as produções americanas que exaltam o exército americano, poderia ser bem pior.

É um filme tecnicamente perfeito, tirando o bebê de plástico que é usado no longa e virou piada na internet. Mais falso que uma nota de 3 reais. Deve ter sido por essas restrições orçamentárias que Steven Spielberg saiu da cadeira de diretor e cedeu para Eastwood, um cara que sabe tirar leite de pedra. Bobeiras a parte é um longa muito bom, justifica a indicação de Cooper a melhor ator, graças a esse papel contemplativo e difícil. Contudo, está longe de merecer o prêmio de melhor filme. Mas, dá para entender a indicação. Sem contar que o Oscar é um prêmio com foco no cinema americano, não é mesmo?

Só para constar, o problema desse longa é que ele glorifica alguém que era júri, juiz e executor. E há muitas pessoas que questionam a veracidade de alguns fatos que deram base para a execução de várias pessoas pelo gatilho de Kyle. Pois é, a pessoa real, como esperado, não é tão heroica como filme retrata. Sem contar que pinta os inimigos dos Estados Unidos como o mal absoluto. Claro que os terroristas não são pessoas de boa índole, mas até o ser mais cruel tem alguma humanidade. De qualquer modo, se esquecermos que é uma obra baseada em fatos reais, esse é um longa que funciona. Sempre lembre que cinema é ficção, e uma ficção que sempre embeleza demais os fatos. Com isso em mente, não vejo problemas em aproveitar essa obra.

Nota: 4 Stars (4 / 5)

 

Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo

 

Esse é o ano dos filmes inspirados em fatos reais. Inspirado sendo a palavra chave. Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo (por que o subtítulo pretensioso e besta? Vai entender…) é mais um drama biográfico no Oscar. Mais especificamente em cinco categorias. O filme mostra a perturbada relação entre o campeão olímpico de luta greco-romana Mark Schultz (Channing Tatum), seu irmão Dave Schultz (Mark Ruffalo), que o treina e também é medalhista em Olimpíadas, e o excêntrico milionário que os apadrinha, John du Pont (interpretado por um Steve Carell como você nunca viu e numa performance única). Apaixonado pela luta greco-romana, du Pont oferece a Mark que ele se junte a equipe dele, a Foxcatcher, onde teria todas as condições necessárias para treinar e se aprimorar. Atraído pelo salário e as condições de vida oferecidas, o jovem atleta aceita a proposta e, assim, vai morar em uma casa na propriedade do ricaço. Aos poucos eles se tornam amigos, mas a difícil personalidade do sinistro du Pont faz com que Mark embarque em uma situação complicada e sem volta. É uma narrativa perturbadora marcada por amor fraternal, lealdade equivocada, corrupção, controle e megalomania.

John du Pont foi uma pessoa real, um ornitólogo com livros publicados e um filantropo. A história real desse sujeito consegue ser mais estranha do que aquela que vemos no cinema. Não vou estragar a surpresa de nenhuma das versões da vida de du Pont aqui, mas vale a pena procurar sobre a vida do milionário depois de ver o filme. Entretanto o longa não é focado apenas nesse estranho senhor. A história nas telonas começa acompanhando o mais jovem dos Schultz, o sugestionável Mark Schultz. Três anos após ter ganho a medalha Olímpica em 1984, a situação de Mark anda melancólica, mal conseguindo pagar as contas e ganhando uma miséria. Sem contar que Mark sente-se constantemente vivendo na sombra de seu irmão. Falando nele, o outro Schultz, é o carismático Dave Schultz, um pai de família feliz e que não pode ser comprado. Pelo menos em teoria.

Esse não é um filme sobre esporte, apesar dele ser um dos temas centrais. É um complexo retrato de um “triângulo amoroso” nada tradicional, onde Mark vive um dilema entre a bizarra família, bem ou mal, que ele e du Pont criaram e sua família biológica. Dave acaba entrando no meio da dinâmica venenosa dos solitários Mark e du Pont, e a situação não poderia ser mais complicada.

O roteiro de Dan Futterman e Max Frye é algo sútil e discreto. Nem tudo é explicado e muitas coisas ficam em aberto para a interpretação do público. Principalmente em relação sobre as motivações dos personagens em cenas críticas. É algo proposital e que te deixará perguntando sobre os personagens mesmo após sair do cinema. Vejo que algumas pessoas terão problema com isso, contudo acho legal quando o filme te permite inserir suas próprias conclusões sobre a história.

O diretor Bennett Miller (O homem que mudou o jogo, Capote) mais uma vez faz um longa centrado nos personagens. O cineasta prova que mesmo sem muitos diálogos ou sem conhecermos demais os personagens, ele é capaz de criar um clima assombroso, perturbador e ameaçador. Os últimos momentos de Foxcatcher são de deixar o espectador sem folego. As figuras desse longa são memoráveis, seja o auto destrutivo Mark ou o bondoso Dave, todos os atores dão o máximo em seu desempenho. Claro que o destaque fica para Steve Carrel, saindo de sua zona de conforto, que é o humor, e vivendo o obsessivo e patriota John du Pont que está acostumado a ter tudo o que quiser e não sabe lidar muito bem quando algo lhe é negado. A maquiagem usada para dar vida a du Pont é outro ponto de destaque da produção, realmente de impressionar.

A trilha aparece só quando extremamente necessária, e contribui com o clima de isolação do filme. O filme é lento, ele deixa as cenas prolongarem para criar ainda mais desconforto, algo que não irá agradar a todos. É um filme anti-heroico, sombrio e que vai contra o clima Hollywoodiano, como visto na crítica anterior, de celebrar os americanos. É um ótimo filme que não planejo rever, por ser extremamente desagradável em alguns momentos. Mas recomendo a todos que curtem um cinema desafiador a encarar. Nem que seja uma vez.

Nota: 4.5 Stars (4.5 / 5)

Não deixe de conferir as outras partes dessa matéria:

Oscar 2015 – Críticas dos concorrentes – Parte 02 – O Jogo da Imitação e O Grande Hotel Budapeste

Oscar 2015 – Críticas dos concorrentes – Parte 03 – Selma e Whiplash

Oscar 2015 – Críticas dos concorrentes – Parte 04 – Boyhood e Birdman

Oscar 2015 – Críticas dos concorrentes – Parte 05 – A Teoria de Tudo e O Conto da Princesa Kaguya

Crítica – Como Treinar o Seu Dragão 2

Crítica – Os Boxtrolls

Crítica – Operação Big Hero

Por enquanto é só e até mais!

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comentários
 
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  • BalasChita
    janeiro 23, 2015 at 1:01 pm

    Voltaram? Antes tarde do que nunca … Foxcatcher parece ser legal. Sniper eu dispenso.

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  • Alicia Jaramillo
    agosto 3, 2015 at 2:20 pm

    Se nos concentrarmos na principal Sniper caráter, é excelente. Mas eu gostaria de destacar o desempenho do ator Eric Ladin, que comumente vemos nos filmes de terror, fazendo outros personagens. Ela certamente teve um grande papel a ser admirado.

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