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Crítica – Sword Art Online: Hollow Fragment (RPG, 2014, PS Vita)

by on agosto 24, 2014
 

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Antes de qualquer coisa, esse game exclusivo para o PS Vita e feito pela Bandai Namco é praticamente um MMO, mas não é online. Uai, como isso é possível? Bem, bora explicar passo a passo. Sword Art Online: Hollow Fragment é um game baseado nas light novels (romances japoneses com ilustrações geralmente no estilo anime/mangá, tendo como público alvo adolescentes e jovens adultos) que deu origem a um mangá de oito volumes e ao famoso anime produzido pela A-1 Pictures. Esse é o segundo game da série Sword Art Online, o primeiro sendo Sword Art Online: Infinity Moment. Só pra constar, Hollow Fragment é uma versão melhorada, um “remake plus” de Infinity Moment. Esse jogo tem 100 personagens recrutáveis, elementos de MMORPG e partes de dating sim. Isso mesmo, os simuladores de namoro que muitos orientais tanto adoram. Será que essa mistureba funciona?

O game assume que você assistiu a primeira temporada da animação Sword Art Online. Spoilers no resto desse parágrafo para quem não assistiu até o episódio 14 do anime SAO (você pode assistir a animação no Brasil via Netflix). Resumindo a bagaça, 10.000 jogadores ficaram presos numa realidade virtual de um MMO Beta, o tal Sword Art Online. Morrer no jogo é morrer na vida real. Sim, total déjà vu do anime hack/SIGN. Nesse cenário complicado, os jogadores se unem para tentar vencer o jogo, que é o modo de saírem dessa situação. E para realmente ganhar nessa quizumba só encarando uma torre de 100 andares com vários desafios. No septuagésimo quinto andar, Kirito, o protagonista, descobre que Heathcliff é o culpado do aprisionamento de geral. Heatcliff é o avatar de Kayaba, o criador de Sword Art Online, e líder da guilda Cavaleiros do Juramento de Sangue (Knights of the Blood em inglês). O espadachim negro Kirito duela com Kayaba e consegue acabar com o aprisionamento mais cedo do que o criador de Sword Art previa. Ou não? No anime e nas light novels todos podem deslogar depois da derrota de Kayaba. Mas no game do Vita, que é um universo paralelo, ocorre um defeito que faz com que Kayaba suma e as pessoas logadas continuem presas no jogo. Pois é. Ainda aprisionados nesse mundo virtual, cabe aos jogadores completarem o resto dos andares da torre flutuante Aincrad. Ou seja, esse game é uma ótima pedida para quem não curtiu o anime depois da derrota de Heatcliff. Porque não há nada daquele terrível arco em ALfheim, onde Asuna virá uma donzela em perigo e fica sendo molestada. E para completar o bolo de merda da história do anime, ainda há implicações incestuosas entre dois personagens. Pra que isso Japão? Pra quê?

Hollow Fragment é dividido em duas partes. A primeira, e mais óbvia, é completar os andares da torre. Basicamente o game anterior, Infinity Moment. A segunda parte, e nova, é a “Hollow Area” (“Área Vazia”). São cenários que permitem jogar multiplayer com outros jogadores reais e possui histórias novas, incluindo encarar o grupo de jogadores matadores de jogadores, o clã de players killers/PKs, «Laughing Coffin» (“Caixão Risonho”). Ah, de novidade também temos a “jogadora laranja” (jogadores laranja são aqueles que cometeram crimes em Sword Art Online), Philia. A misteriosa personagem de quebra ainda tem laços com o lendário matador de jogadores PoH.

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A parte dos andares é praticamente idêntica ao do primeiro jogo. Com exceção que há a inclusão das personagens Sinon e Leafa bem antes de onde elas apareciam no jogo original. Você tem que avançar pelos andares de Aincrad e para isso tem que “completar” cada um dos andares remanescentes. Completar um andar pode ser achar o chefão do local, encarar um semi-boss ou completar certa tarefa. Missões de matar inimigos, achar itens e colecionar bugigangas também estão presentes nesse modo. E para facilita as coisas você deve subir de nível e habilitar skills. Os chefões do jogo lembram as raids dos MMOs de verdade. É preciso um grupo de jogadores, no caso de Hollow Fragment seu personagem, um Kirito customizável, e um grupo NPCs para detonar um chefe.

Então como um jogo que simula ser um MMO compensa o fato de não estar online? Bem, há mais de 100 companheiros recrutáveis no jogo. Esses NPCs podem sair em aventuras contigo quando você vai encarar um desafio. Todos eles possuem habilidades diferentes e sobem de nível quando você os utiliza. Os companheiros são bem úteis na luta e o combate de SAO é simples, pelo menos inicialmente, mas divertido. E, quem diria, a inteligência artificial dos NPCs até que dá pro gasto, eles pisam na bola bem raramente. Então, sem chororô, a culpa de perder num combate normalmente será sua.

Nesse game você pode, por exemplo, atacar, defender, correr, desviar e aparar, todas as ações citadas anteriormente usam a barra de Burst. E, além disso, você pode utilizar skills (area effect, que atinge vários alvos ou regular effect, que atinge apenas um), ordenar comandos para seus companheiros, congratular seus parceiros, etc.

Kirito é o personagem que você controla nessa aventura. Você pode customizar o visual desse herói sem sal e até mudar o nome dele, mas nas cutscenes ele sempre irá aparecer com o visual das light novels, mangá e anime. O protagonista é mais proficiente com duas espadas, contudo você pode comprar outras armas se quiser, como machados, lanças ou clava. Só fica o aviso que utilizar outras armas com Kirito é meio mancada, pois ele possui várias skills que utilizam duas espadas. De qualquer modo, fica a recomendação de focar a compra armamentos que não sejam espadas para seus companheiros.

Vale ressaltar que é meio estranho que você já comece no nível 100 nesse jogo. Claro que faz sentido na história o personagem já estar num level tão alto, contudo o começo do jogo é muito mamão com açúcar. Demora um bocado para surgir um desafio no game, nos andares é só a partir do andar 85, porém quando isso ocorre é bem recompensador.

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Na sua jornada para encarar os andares finais de Aincrad, você terá acesso apenas a uma cidade, Arc Sofia. Ela não é tão viva, mas serve como um bom hub. Contudo, quando desejar você pode entrar na parte “Hollow” do jogo. O que evita a monotonia e onde você irá encontrar a novata, e uma das melhores personagens, Philia.

E para falar a verdade, o desafio e maior diversão do jogo não estão nos andares, que são um tanto lineares. E sim na Hollow Area. A Hollow Area é praticamente um mundo aberto, com novos adversários. E o melhor, teoricamente, é que você pode jogar essa parte com amigos via ad-hoc. O que complica um pouco é que esse modo multiplayer é só local. Conhecer outra pessoa localmente com Playstation Vita e Sword Art Online: Hollow Fragment não é tão simples assim. Isso só deve funcionar mais no Japão, onde portáteis são mais parte da cultura e bem mais acessíveis.

O gráfico não é lá essas coisas, até porque o game usa como base o Infinity Moment que foi lançado para o PSP original. Claro que tacaram um filtro ou outro para deixar o visual mais agradável, contudo fica aquela sensação de jogo datado. Mas a arte do jogo mesmo assim tem um traço bonito e as cutscenes no Vita tem mais qualidade do que no portátil original da Sony. E o jogo passa bem o sentimento de estar no mundo do anime de Sword Art Online, apesar dos pesares.

O jogo sofre de um “ingrês/engrish” tenebroso. As traduções variam de confusas para sem sentido algum, ainda mais na parte de namoro do game. Eu acho meio vergonha alheia esse segmento do jogo, pois o roteiro trata Kirito muito como senhor fodão não importa o que ele faça, e é muito fácil de pegar geral. As mulheres quase não possuem personalidade nesse “modo”. Entretanto, como isso não é a parte principal do jogo, cabe a você optar se vai aprofundar de cabeça no dating sim. Não chega a prejudicar o game. Eu achei o roteiro sofrível nesses segmentos, ainda mais por conta do “engrish”, mas se quiser encarar, seja feliz. Olha, eu joguei Conception II que tinha uma parte de dating sim mais besta ainda e não me incomodou porque era mais na zoeira. Mas no fim das contas, gosto é gosto, né?

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Exemplos do texto em “engrish” no jogo

As vozes do jogo são apenas em japonês, mas não se preocupe, a qualidade dos dubladores é ótima e colabora muito para te emergir no jogo. A história no geral é boa, principalmente quando foca na jornada para sair do mundo virtual e o confronto com os players killers. Mas a parte de harém/fanservice, onde o protagonista é o pica das galáxias só por ser, não irá agradar a geral, incluindo o mala que está escrevendo essa crítica. Porém não vai matar ninguém também. A não ser que você tenha fobia do gênero harém. O que significa harém nesse caso? Gênero de anime e mangá que apresenta um personagem normalmente masculino que “sofre” com o problema de todas as mulheres do mundo terem o desejo de se esfregar no cara, mesmo ele tendo a personalidade um poste. Normalmente funciona quando não se leva a sério e tal. Não é o caso de Sword Art Online: Hollow Fragment.

Mesmo sendo um game licenciado, o que normalmente é sinônimo de jogo ruim, esse é um puta dungeon crawler, ótimo para quem tem saudades de um bom JRPG. Tente investir em entender melhor o combate, que começa simples, mas depois fica um pouco mais complexo, que você irá ter uma ótima experiência. Os minigames, conversas com e entre os NPCS, troca de mails e outras side quests acabam incrementando bem o conteúdo desse game. Coloquei 80 horas de jogatina nesse game, mas dá para passar disso fácil, fácil. Para quem viciar de vez há o tradicional New Game + com ainda mais dificuldade para quem não cansa do mundo de Sword Art Online. O jogo seria bem melhor com uma tradução decente, mas devido ao surpreendente sistema de combate, vale logar nessa aventura do PS Vita. Lembra um bocado a estrutura de Kingdom Hearts 358/2 Days do DS. Se você curtiu aquele game vai se sentir em casa, com o bônus do combate de Hollow Fragment ser bem melhor.

Trailer de Sword Art Online: Hollow Fragment

Nota: 4 Stars (4 / 5)

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