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As melhores histórias do Demolidor – Parte 1

by on outubro 20, 2014
 

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Criado em 1964 por Stan Lee e Bill Everett, o Demolidor, o herói cego das HQs da Marvel, completou 50 anos de existência em 2014. O demônio da Cozinha do Inferno pode não ser um dos mais famosos da editora, mas conquistou uma legião fãs graças a grandes arcos de história, várias delas tidas entre as melhores das revistas em quadrinhos já feitas. Texto com SPOILERS!

A figura por trás da máscara, Matt Murdock era um garoto normal apesar das dificuldades de ter sido criado apenas por seu pai, um boxista que exigia muita dedicação e estudo de seu filho para que ele pudesse ter um futuro melhor. Entretanto, tudo muda quando Matt arisca sua vida para salvar um senhor que seria atropelado por um caminhão. Durante o ocorrido, um produto químico radioativo se solta e atinge os olhos do jovem, privando-o de sua visão. Apesar do grande fardo de não poder enxergar mais, Matt notou que seus demais sentidos haviam sido ampliados, suas habilidades sensoriais ficaram tão elevadas que geraram uma espécie de radar, possibilitando-o ter uma noção precisa de tudo a sua volta. Depois de se recusar a entregar uma luta a mando da máfia o pai de Murdock é assassinado, em busca de justiça Matt se tornar o vigilante Demolidor e vai ao encalço dos responsáveis.

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Diferente do que muitos podem presumir o fato do Demolidor ser um herói cego não foi uma medida de integração social das pessoas com tal deficiência, na verdade, diferente dos heróis da DC, as figuras da Marvel sempre foram pautadas mais na realidade, tendo problemas e deficiências que os tornavam mais humanos – no caso de Matt Murdock pode-se reafirmar a palavra “problemas”. Ao longo dos anos, diversos escritores importantes passaram pelas revistas do herói, construindo um enorme background do personagem, inserindo uma série de provações, dilemas pessoais e momentos trágicos, sempre exigindo do herói se reerguer após suas quedas.

A tentativa de filme do herói em 2003 pela Fox até buscou inspiração em algumas dessas grandes obras, porém falhou miseravelmente. Mas uma nova empreitada realizada pela Netflix em parecia com a Marvel, parece ter potencial de entregar algo interessante. Então antes de acompanhar essa futura etapa do Demolidor na TV, fique com uma seleção das histórias obrigatórias para quem não conhece muito da historiografia do herói ou quer simplesmente ler o melhor já feito até agora. Começando pelo trabalho marcante de Frank Miller.

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Comparação da mini-série Demolidor – O Homem sem Medo e a primeira foto do pré-uniforme do herói no seriado da Netflix.

Fase Frank Miller

Frank Miller é sem nenhum exagero o responsável pelo grande ponto de virada nas histórias do Demolidor. Anteriormente o herói era uma figura pouco relevante dentro da Marvel, chegando inclusive a correr o risco de ser cancelado por diversas vezes. Foi somente a partir da fase escrita e desenhada por Miller que o herói ganhou fama e status de um dos clássicos maiores do gênero de super-heróis.

Diferente de muitas outras histórias da época, a revista do Demolidor escrita por Miller tinha um tom mais sério e sombrio, explorando profundas facetas dos personagens. Além dessa abordagem diferenciada com toques cinematográficos, também se pode dizer que Miller reinventou o herói, adicionando e mudando elementos de sua origem, dando uma bagagem mais robusta para seu passado, transformando a figura do herói mascarado que treinava boxe em um ninja extremamente habilidoso.

Outro destaque dessa fase foi à criação de personagens como Elektra – um antigo e perigoso relacionamento de Murdock; e Stick – seu mestre ninja do clã Chase. Além de uma nova abordagem/aprofundamento de figuras como o Rei do Crime – até então um vilão sem grande importância da galeria do Aranha; e Mercenário – que se tornou um dos psicopatas mais memoráveis do universo Marvel. Assim como o Demolidor, tais persoangens ganharam uma nova “vida” pós-Miller, ganhando o molde que os caracteriza até hoje.

Três anos após a sua primeira passagem pelo título, Miller retornou para escrever mais sete edições de Demolidor, dessa vez com os desenhos de David Mazzucchelli. Porém o que ninguém esperava era que esse seria o melhor momento do herói até então, na devidamente elogiada Queda de Murdock. Nessa fase Wilson Fisk descobre a origem secreta de Matt Murdock, graças à ex-namorada e funcionada de herói, Karen Page. Mas o Rei decide que a morte seria algo muito fácil para Murdock, ele mercia sofrer antes disso, então o vilão articula várias ações para arruinar completamente a vida de Matt – minando o herói física e psicologicamente, lançando o Demolidor no fundo do poço. Com uma carga dramática pouco vista em qualquer outra HQs até hoje, essa fase abordou temas pesados como o uso de drogas, prostituição, dilemas morais e religiosos. Esse arco já foi republicado diversas vezes, a última delas na série de encadernados da Salvat.

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Queda de Murdock é um dos maiores clássicos do Demolidor e das HQs de super-heróis até hoje.

 No início dos anos 90, Miller retorna para mais um trabalho junto do herói. Depois de ter realizado retcons na revista mensal do Demolidor, o escritor revisitou a origem do Demolidor na minissérie O Homem sem Medo. Incluindo os elementos que já havia desenvolvido anteriormente, essa obra é considerada por muitos como o “Ano Um” do demônio da Cozinha do Inferno. Ao lado dos inspirados desenhos de John Romita Jr, Miller cria uma obra de referência para quem deseja conhecer o início do Demolidor. Abordando ainda mais da misteriosa e louca Elektra e de seu treinamento ninja e primeiros contatos com personagens como o maior amigo de Matt, Foggy Nelson. Ao que tudo indica, o seriado realizado pela Netflix parece que buscará inspiração nessa obra, pelo menos a primeira foto liberada com o pré-uniforme do Demolidor está muito semelhante com a vista nessa HQ.

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Arte de John Romita Jr em Demolidor – O Homem sem Medo. Miller revisitou a origem do herói, leitura obrigatória para quem deseja conhecer mais de Matt Murdock e seu alter ego.

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