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Crítica – Amante a Domicílio

by on março 17, 2014
 

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Deixando a modéstia de lado, o ator-diretor-roteirista John Turturro estrela seu quinto filme se colocando no papel de um “garoto de programa” bem dotado e que ainda por cima tem Woody Allen como seu cafetão. Apesar de que o trailer e a escalação de Allen como um agenciador possam  sugerir que essa produção  será uma comédia pastelão com muita sensualidade, “Amante a Domicílio” (“Fading Gigolo” no original) é uma  análise sútil e madura da sexualidade de pessoas comuns em Nova York. O roteiro só chegou a esse amadurecimento graças aos palpites de Allen, segundo o próprio Turturro. Mas sim, há doses de bom humor e belas mulheres, só que a obra vai além disso.

O filme começa sem enrolação já apresentando as figuras principais rapidamente. Murray, interpretado por Woody Allen, é um homem que acaba de ver sua livraria, o trabalho de sua vida, ir à falência.  Em seguida ele vai a sua dermatologista, a sensual doutora Parker (vivida por Sharon Stone), que deixa escapar que gostaria de praticar um ménage à trois. Os participantes seriam ela, uma amiga (interpretada pela boazuda Sofia Vergara) e um homem que não fosse o marida dela.  Murray, dando mole, propõe que seu amigo, Fioravante  seja um participante da atividade, pela taxa de 1000 dólares. Fioravante (John Turturro) é um florista pacato e modesto, que fica meio abismado em virar “uma puta”, palavras do próprio, incialmente, mas acaba aceitando a proposta.

faddinggigolo

Um problema do filme é que não há muito desenvolvimento para o personagem principal. Nada é dito sobre a família ou história sexual do “prostituto por acaso” Fioravante. O sujeito vai indo na situação sem demonstrar como isso o impacta. Provavelmente é a intenção do diretor deixar esse lado do personagem oculto, mas um pouco mais de profundidade no mesmo geraria mais empatia pelo personagem.

De qualquer modo, Fioravante tem uma faceta interessante. Quando o florista se aproxima da Doutora Parker, ela quer experimenta-lo antes de o introduzir a amiga, é  de uma forma muito atenciosa, algo que a doutora  não experimentava há anos, se é que já havia experimentado algo assim.  Sem contar que a química dos dois no sexo é inegável, mas o que encanta a doutora são os detalhes, tipo como Fioravante cuida dos arranjos de flores ou faz um pão. O filme se preocupa em mostrar que a intimidade que Parker, e outras mulheres desse longa, procuram é algo além do carnal.

Quando Fioravante acostuma com suas atividades paralelas, de repente surge mais uma cliente que irá mudar tudo. Avigal (Vanessa Paradis) é uma viúva judia extremamente reprimida.  Mesmo sendo mãe de seis, essa bela mulher nem ao menos foi beijada. O envolvimento dela e o florista é algo conturbado ainda mais que Dovi (Liev Schreiber), um homem que patrulha a comunidade ortodoxa e não gosta de ver Avigal sorrindo tanto do nada e obviamente irá investigar o assunto a fundo.

Com uma direção direto ao ponto, sem firulas, personagens  ricos e uma trilha de jazz para cima, esse filme poderia facilmente passar como uma produção do próprio Allen. Se bem que só  John Turturro  é quem conseguiria criar um filme tão sincero e acolhedor tratando de um tema que facilmente poderia virar uma chanchada.  O longa tem alguns momentos estranhos, mas a paixão embutida nessa produção acaba sobressaindo seus defeitos. É um filme que te deixa curioso pelo que esta por vir e tem muitas frases engraçadas e memoráveis. É um conto de fadas que, apesar dos pesares, nunca tira o pé da realidade, e fará com que você saia do cinema com um sorriso.

Nota: 4/5

Trailer dessa divertida produção

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