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Crítica – Capitão América 2: O Soldado Invernal

by on abril 4, 2014
 

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Capitão América é um herói bem complexo e que poucos autores conseguiram trabalhar bem com o mesmo nos quadrinhos. Nos cinemas, antes do Marvel Studios, ele só teve filmes de doer(dúvida? Clique aqui se tiver coragem). Contudo, com o Capitão América: O Primeiro Vingador de 2011 finalmente tivemos uma boa adaptação do herói, não sem suas falhas, mas que era um passo certo para  endireitar Steve Rogers nos cinemas. Depois de sua participação no arrasa quarteirões Os Vingadores (2012), será que esse patriota americano continuará sua maré de bons filmes em sua nova aventura solo?

O filme Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier no original) nos mostra Steve Rogers (Chris Evans) tentando se adaptar a um mundo completamente diferente do que aquele que deixou em O Primeiro Vingador. O herói volta a trabalhar para a S.H.I.E.L.D mas rapidamente fica evidente para o Capitão que a organização não é mais a mesma. Isso leva o herói de colante e escudo para um conflito que ameaça destruir a S.H.I.E.L.D. Steve Rogers e Natasha Romanoff /Viúva Negra (Scarlett Johansson) não sabem em quem podem confiar durante essa ameaça, porque o inimigo esta infiltrado na própria S.H.I.E.L.D. E, para piorar tudo, o misterioso Soldado Invernal é um desafio mortal e constante no caminho deles.

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Esse filme é um amálgama de muitos gêneros. É um triller político,  um filme de espionagem, um filme de ação e um filme de super heróis. O mais interessante é que antes de ser um longa metragem de herói, esse é um triller político, e essa combinação incomum é o que torna Capitão América 2 uma produção especial. Os irmãos Russo, diretores dessa obra, junto com os roteirtistas Christopher Markus e Stephen McFeely tiveram mão firme e colocaram Capitão América numa rota interessante. Anthony Russo e Joe Russo  (de Community e Arrested Development) mesmo sem experiência em obras de ação, trazem a mistura certa de humor e ação de uma maneira sútil e adicionam tensão nunca vista em nenhuma produção Marvel até então. Ansioso para ver o que os dois diretores vão fazer em Capitão América 3, já que o projeto é deles. Esse é praticamente o Cavaleiro das Trevas da Marvel, com um clima menos gótico e  mais descontraído, claro.

Chirs Evans finalmente encarna de vez Steve Rogers. Depois de dois filmes com uma performance mais ou menos, o ator agora entende de vez seu personagem. O interprete melhorou muito sua atuação e consegue transmitir o conflito de ser um homem fora de seu tempo e a voz de liderança que o torna o Capitão. Um exemplo, o discurso do herói para o pessoal da S.H.I.E.L.D e a reação daqueles que o escutam é uma ótima sequência, faz você crer que aquelas pessoas realmente acreditam e confiam nele. Scarlett Johansson nos mostra um pouco mais da agente Viúva Negra, dando ainda mais profundidade para a sensual espiã.  Algo legal desse filme é que as mulheres não são damas em perigo, elas sabem se virar, ao contrário de suas contrapartes no universo DC, vide Lois Lane em Homem de Aço ou Rachel na trilogia Batman de Nolan. Anthony Mackie é o novato da produção e ele faz o Falcão/Samuel Wilson ser extremamente carismático e é uma ótima dupla com o Capitão América, espero ver mais dessa parceria no futuro. E a surpresa do elenco é Robert Redford como Alexander Pierce. Fique de olho nele, a performance desse ator mostra o quanto os filmes de heróis são levados a sério hoje em dia. Ah, tirando Loki, esse é o filme que traz os melhores vilões do universo cinematográfico Marvel. O Soldado Invernal é intimidador e todas as suas aparições são fodas, sua identidade não é segredo para os fãs de quadrinhos, mas com certeza irá surpreender a muitos.

O filme é totalmente imersivo, com um visual impressionante e usando CG/efeitos de computador só quando extremamente necessário. Há muitas cenas com dublês aqui e, com isso ,as cenas de combate passam uma verossimilhança muito maior do qualquer filme que abusam demais dos efeitos especiais (O Espetacular Homem-Aranha estou falando de você). A trilha é outro aspecto arrebatador da produção, os sons parecem terem saído diretamente de um filme da trilogia Bourne ou de um 007 moderno, e mesmo assim continuam combinando com a diversão de um bom filme de super herói.

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Isso é o que um filme de quadrinho deveria ser. Personagens bem desenvolvidos, expande  a mitologia do universo, fornece uma abundancia de cenas de ação espetaculares e referencia os dilemas de nosso tempo por alegorias. É um triller com muitas, muitas reviravoltas e belas coreografias de combate. Especialmente  uma certa luta numa ponte, com foque  numa faca contra um escudo.

O final pode decepcionar alguns, por ser aberto demais para uma sequência, mas o universo cinematográfico da Marvel, assim como seu universo dos quadrinhos, é continuo. É muito difícil termos uma obra totalmente fechada em si mesma hoje em dia. Para mim esse filme funciona sozinho, mas sempre há aqueles que querem todas as pontas fechadas numa só produção. Esse não é um filme só de Steve Rogers, apesar dele ser o destaque. Todos os personagens tem seu momento de brilhar, é um filme de equipe, é um filme com emoção, é o filme para quem não aguenta esperar Vingadores 2. É o Vingadores 1.5, e é o melhor filme da Marvel até o momento.

Nota: 5/5

Trailer dessa superprodução baseada na HQ do mestre Ed Brubaker

Ps: Preste atenção a referência a Pulp Ficiton num certo túmulo. E veja o que há no pescoço de Natasha em alguns momentos. Será que a personagem tem uma relação com outro agente? E se estiver se coçando para saber como são as cenas pós créditos do filme, clique aqui.

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