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Crítica: Demolidor (Netflix)

by on abril 22, 2015
 

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Depois da Marvel ter conquistado seu espaço no cinema, chega finalmente à TV o primeiro produto da audaciosa parceria com a Netflix, o seriado do Demolidor. Será, que finalmente os fãs do demônio da cozinha do inferno, terão uma material de qualidade para esquecer de uma vez por todas o lamentável filme protagonizado por Bem Affleck em 2003? Texto com SPOILERS!

O que foi dito nas entrevistas sobre a série foi cumprido à risca. O tom do seriado está mais para um drama policial, pautado na realidade, com mais ênfase na investigação e relações de poder do que com o universo super-heróico. Entra em cena o vigilante soturno, levando a uma ótica diferenciada da qual estamos acostumados a ver em séries e filmes de heróis coloridos e com superpoderes. O Demolidor não salva o mundo, age para defender o seu bairro de infância, a Cozinha do Inferno, da violência urbana causada pelo tráfico de drogas, onda de assaltos e outros crimes cometidos por humanos, e não super-vilões.

Um diabo para lembrar as pessoas de ficarem na linha… mas, convenhamos o uniforme poderia ter ficado melhor né?

O desenvolvimento da trama de modo geral é simples, tendo apenas em alguns momentos trechos um pouco mais densos e profundos, todavia ainda é fácil entendimento e extremamente agradável de acompanhar. A introdução de novos personagens e informações acontece de modo gradual e fluido, ao mesmo tempo que apresentam fatos atuais e histórias do passado de alguns dos personagens através de flashbacks bem posicionados e de duração exata. Para complementar, diálogos com nítidas referências e caráter simbólico contribuem para completar uma atmosfera concisa, algo que já pode ser notado desde o panorama retratado no final do primeiro episódio. Todos esses recursos trabalham em harmonia com um roteiro consistente, que ganha intensidade ao longo dos episódios.

Outro acerto do seriado é o seu elenco. Karen (Deborah Ann), Foggy (Wlden Henson), Bem Urich (Curtis-Hall), Stick (Scott Glenn) e Clarie – Enfermeira Noturna (Rosario Dawson), fazem um trabalho irretocável. Todos são personagens importantes na trama, complementando de alguma forma as figuras centrais de Matt Murdock (Charlie Cox) e Wilson Fisk (Vicent D’Onofrio).

O Matt/ Demolidor é construído explorando os vários elementos importantes do personagem, como sua infância e a relação com seu pai, seu lado advogado e sua amizade com Foggy, a influência da religião em suas ações, seu treinamento com Stick e finalmente seu lado heróico, tudo de forma gradativa e sutilmente desenvolvida. Matt tem até um pequeno vislumbre de sua tragédia dantesca (para uma primeira temporada acho que ficou de bom tamanho). Já Wilson Fisk é retratado de forma que poucos “vilões” conseguem, fugindo de estereótipos. Seu lado humano e psicológico (com direito até a arte!) e detalhado através da sua infância e da relação com sua mãe e seu interesse romântico, Vanessa. Com isso suas fraquezas e forças tornam-se evidentes, tendo suas ações e posicionamentos compreensíveis, ao mesmo tempo que se torna uma figura próxima, mas nem por isso deixa de ser também assustadora.

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E apesar dessas diferenças, há durante vários momentos uma série de paralelos no comportamento entre esses dois personagens, os aproximando assustadoramente, porém os mesmos fins divergem quanto aos meios de alcançá-los. Acompanhar o início do vigilante, sua inocência e inexperiência em certos momentos, e a ascensão do rei, que ainda está formando seu império e deve lidar com erros de julgamento e pressões de outros agentes do ambiente, elevam a série a um outro patamar.

As cenas de ação, no caso as porradarias, também são absurdamente bacanas. Aliando uma coreografia rápida e intensa, em alguns momentos lembram até os filmes da franquia Bourne, com a adição de movimentos ninja. As lutas destacam-se por seu realismo, algo difícil de ver no gênero dos super-heróis. O Demolidor não possui super-força ou resistência ampliada, ou seja, para derrotar uma pessoa comum ele tem que acertar vários golpes para derrubá-la, e podemos perceber que ele se cansa no decorrer de uma ação mais longa, ficando nítida a necessidade de se recuperar, se apoiando nas paredes e buscando alguns segundos para tomar fôlego. Isso sem que dizer o quanto ele se machuca durante essa primeira temporada, tomando surrar homéricas – refletindo em hematomas e cortes que não “desaparecem” no dia seguinte. Uma cena que retrata grande parcela disso é a vista no final do segundo episódio, em um plano sequencial e de take único, ao melhor estilo Oldboy.

As relações com o universo cinematográfico Marvel estão presentes – como a reconstrução da Cozinha do Inferno após o ataque alienígena – entretanto são sutis e não criam efetivamente um vínculo à eventos futuros. Ao longo da temporada, também são deixadas várias pontas soltas, algumas delas possivelmente para uma segunda temporada, como por exemplo o passado de Karen e o relacionamento de Murdock com uma grega (Elektra), outras possivelmente podem ser usadas em outros séries da Netflix, como a partida de Madame Gao, o Clã Tentáculo e o Céu Negro.

Concluindo, a parceria Marvel e Netflix não poderia ter começado melhor. Demolidor é um seriado consistente ao longo de todos os seus episódios e além de explorar uma nova face da Marvel nas telas, com um tom mais sério, real e violento (com classificação de 18 anos) – uma mudança de tom extremamente bem vinda, se comparada com a pegada mais leve adotada no universo cinematográfico, tudo isso usando como base vários autores bacanas que o herói teve ao longo dos anos (principalmente Frank Miller) e mesmo assim conseguiu entregar algo homogêneo. Felizmente a Netflix já confirmou uma segunda temporada para 2016, provavelmente teremos mais detalhes em breve.

No mais, confira todos os easter eggs da série:

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