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Crítica – Muita calma nessa hora 2

by on janeiro 17, 2014
 

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Por que, Deus, por quê?

Claro que comédia é algo leve, descompromissado e tem direito a muita liberdade no roteiro. Mas o mínimo de comprometimento é bom né? “Muita calma nessa hora 2” tem um bom elenco, um pessoal minimamente empenhado e o local onde ocorreu o Rock in Rio como cenário. Contudo é foda ver o potencial desse filme ir para o escambau por uns “detalhes bestas”. Tem tramas paralelas demais e que ainda por cima não tem motivo para estarem ali (a patricinha que não tem carreira discutindo com os pais, o cara que quer ver o show do Chiclete, a distribuição de panfletos, o acidente de patins do pai da supersticiosa, etc), o merchandising é safado (“- Vão cortar a TV a cabo. – Tudo bem, sem Telecine eu não ficava mesmo.”) e as cinco principais são estereótipos ambulantes, que se tivessem algum desenvolvimento tava valendo, mas rapa, é capaz de tu sair do cinema sem lembrar o nome das moças.  Só lembro da Estrella e da Mari e olhe lá. Entre as gurias principais destaque para Fernanda Souza que mesmo com um texto mequetrefe sabe dominar a cena. Quase me esqueço de registrar que apesar de ter um ou outro diálogo inspirado, a maioria é de doer.

A melhor piada do filme é tirada do maravilhoso “O Palhaço”, entretanto aqui ela aparece sem ritmo e falada num pé só. É legal a piscadela que eles fazem com essa outra obra, mas fica claro a diferença de direção nessa cena que tá logo no começo do filme. Ficar malhando o longa é chato, contudo  não tem jeito, tinha potencial nessa joça. Ênfase no “tinha”. As principais são enturmadas, realmente passam que são amigas. O Marcelo Adnet tá foda de paulista, que é estereotipado pra cacete, mas então o cara apela, vai para o extremo, vira algo cartunesco e tá de boa. A sacada do Hélio de la Peña fazer todos os seguranças é engraçada, mas mal explorada, pois é só isso, o sujeito só tem uma troca de diálogo bacanuda, que é com o Adnet. A zoação com o Luan Santana também é bem bolada, criaram um sertanejo baseado no cara, com direito a obsessão no cabelo e querer provar que é macho de qualquer jeito. Bruno Mazzeo aparece voado no filme, mas marca presença nesse papel de falso Luan. Outra piada boa é a brincadeira com o Los Hermanos, criando uma banda no mesmo estilo, Los Cunhados.  Ou seja, o filme é uma sátira com a cultura pop contemporânea, na teoria pelo menos, pois é mais uma tirada com a cara de quem gastou uma grana para ver isso. O diretor Felipe Joffily fez um bom trabalho em “E Aí… Comeu?’ mas aqui ele tá com o foda-se ligado ao extremo, parece que o filme foi feito em toque de caixa, é um festival de participações especiais e gente atuando no automático.

O filme tem coisas boas. Mas, puta merda, essa produção ao invés de focar na brincadeira com as bandas e figuras da música nacional, e fazer tributo a algumas também, decide tacar uma pensão sem grana no meio, que o pai da Estrella deu na telha de fazer, pois achou que tinha direito a parte da herança da filha. Ela que, na verdade, ganhou uma samambaia. O que não era bem isso, mas isso é a “reviravolta” de merda do final do filme. Conversar que é bom pra que né? Ae aparecem gangsteres argentinos (Marco Luque nem tá mal de bandido, contudo, como muita coisa nesse filme, era dispensável) com direito a uma piada referenciando Poderoso Chefão. Fato que o filme duvida da capacidade do público de entender e explica logo em seguida. Porra, se você acha que nego não vai captar a piada não coloca essa praga no meio do seu filme. É um puta puteiro do carai no fim das contas (tentando quebrar o recorde de palavrões no Vagantepop).

É triste ver tanto artista bom numa produção que vai, vai e não vai para lugar nenhum. A sensação que dá é que esse filme era uma bando de piadas soltas (sketches) que deram um jeito de juntar com um roteiro qualquer. Ênfase no “qualquer”. Muita calma rolou para fazer essa produção, mas seriedade nem passou perto.  Era melhor ter ido ver o filme do Pelé…

Nota: 2/5

Trailer desse quase especial do Zorra Total

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comentários
 
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  • Sissi
    janeiro 29, 2014 at 5:24 pm

    Eu vi “O Palhaço” e o “muita calma…2”, mas não sei que piada vc esta falando… Qual é?

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    • Calhorda Explosivo
      janeiro 29, 2014 at 8:47 pm

      Sabe o cara que quer vender o mapa para a Estrella no comecinho do filme? Quando ela tá voltando da Argentina numa van e tal … É o mesmo personagem que vende mapa para o povo do circo em “O Palhaço”, lembra? E se você ficar na dúvida se é isso mesmo, além do de ser a mesma piada, o mesmo ator, na mesma roupa, falando mais ou menos do mesmo jeito … No final ela ainda chama o cara de palhaço. Pois é. Tenso.

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