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Crítica – Rune Factory 4 (3DS)

by on novembro 29, 2013
 

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Mesmo que “Rune Factory” já tenha tido vários lançamentos em diversos consoles desde 2007, a série ainda não emplacou com as massas. Ao invés disso, a franquia tem fãs dedicados que adoram a mistura de exploração de calabouços com simulação do dia a dia. Saca Harvest Moon? Esse jogo tem tantos elementos do simulador de fazenda que seu primeiro título se chamava “Rune Factory: A Fantasy Harvest Moon”. E como o subtítulo da primeira versão dizia o elemento dos mundos de fantasia, com guerreiros, dragões e tudo mais, é o principal diferencial dessa mistureba inusitada. O jogo tem momentos divertidos, o problema é que para chegar à diversão leva horas e mais horas de tutoriais. Como essa foi minha primeira incursão na franquia, tive que encarar com atenção os tediosos modos de aprendizado, que mesmo que tu saiba já tudo, não tem jeito de fugir.

“Rune Factory 4” segura muito a mão do jogador e isso é seu principal defeito. Ele trata o jogador como se ele nunca tivesse pego um vídeo game na vida. Ok, para algum cabra, esse pode ser o primeiro jogo que ele vai encarar, mas todo mundo gosta do desafio de descobrir algumas coisas por conta própria, ou pelo menos ter essa opção. O básico do jogo é mostrado via as primeiras sidequests, seja fazer amizade com animais, cultivar o campo e lutar. Mesmo sem nunca ter jogado o game antes, eu já estava saindo das muralhas e comprando produtos antes do jogo pedir, e não é que eu seja esperto (pfff, longe disso), é porque “Rune Factory 4” tem um ritmo muito lento, e a menor oportunidade que ele dava para explorar eu decidi aproveitar antes que eu abandonasse a jornada de vez.  É um game que vai tirar todas as suas dúvidas, contudo, mesmo com 10 horas de jogatina eu ainda via algum tutorial em quests mundanas e tediosas.

Você é um príncipe, ou uma princesa, sem memória (quase o padrão para qualquer RPG) de uma cidade, Selphia. Para conseguir mais habitantes para seu pequeno reinado, é preciso adornar o local.  Completando quests e sidequests você ganha pontos, e com eles você desbloqueia festivais e expande seus estabelecimentos, entretanto isso é muito escasso, ainda mais no começo do jogo. Outro problema é que esses pontos são sua única moeda para dar um upgrade em suas habilidades e na sua cidade. Isso força o jogador a escolher entre o objetivo principal, tornar sua cidade uma metrópole, ou focar no seu personagem, para que ele não seja um lixo completo. É um jeito covarde de prolongar o jogo, fazendo com que muitas das atividades que realmente compensam apareçam tardiamente.

O destaque desse game são seus habitantes malucos. O protetor da cidade, o dragão Ventuswill, Kiel, o nerd divertido da biblioteca, sua irmã super séria, Forte, a dorminhoca (que inclusive vive dormindo em pé), Clorica, são alguns dos divertidos personagens que fazem parte do elenco. Algo bacana, que pelo visto é novidade na série são as conversas de grupo. Se você abordar alguns personagens quando eles estão próximos um dos outros, essa conversa pode surgir e as cenas que envolvem mais de um dos caricatos membros da cidade Selphia são garantia de diversão. Também é possível começar um romance com algumas figuras do game, para isso você terá de investir em tal personagem, o que gera novas missões, diálogos e ajuda o jogo não cair na rotina.

As dungeons são bem genéricas, focadas apenas em lutas e angariar itens. Tudo é muito previsível, puxar uma alavanca, ativa uma área que não era acessível antes e logo um chefe pra fechar o ciclo. Aliás, os chefes também não são nada desafiadores e os combates são bem simplórios.

A diversão do jogo esta em descobrir novas áreas, interagir com os personagens, cozinhar e melhorar sua cidade. Às vezes um novo detalhe, seja uma nova habilidade ou um novo habitante, muda toda sua estratégia e faz você repensar em como administrar Selphia.

Havia momentos em que eu não conseguia largar “Rune Factory 4”, outros que eu queria me matar se tivesse que jogar mais uma vez essa praga. A falta de desafio nos combates, tutorial demorado e um sistema de batalha meio simples demais são desanimadores. Mas se você esta em busca de um jogo que vai render muitas e muitas horas, e principalmente se você tem um bocado de paciência esse é seu game meu amigo. Para quem sempre quis administrar um feudo (ou algo do tipo) com elementos de rpg tradicional, esse é seu jogo meu capitão. “Rune Factory 4” ainda mantém a série fechada para poucos, mas quem gosta, vai gostar cada vez mais.

Nota: 2/5 (3/5 se você acha Farmville batuta e poderia ficar melhor com dragões)

Trailer de Rune Factory 4

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