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Crítica – Sob a Redoma (Livro de Stephen King)

by on fevereiro 21, 2014
 

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Mais um dia de outono na vida cotidiana dos habitantes da cidade Chester Mill, de repente durante esse que deveria ser mais um dia comum, algo de inesperado ocorre: a cidade é separada do restante do mundo por um campo de força invisível, aprisionando seus habitantes e liberando seus instintos de sobrevivência.

Isso é a base da obra de Stephen King, Sob a Redoma, publicado no Brasil pela editora Suma de Letras.  O começo do livro captura rapidamente o leitor, mostrando um acidente de avião até aquele momento inexplicável. Partindo deste ponto somos levados a conhecer alguns dos habitantes do local, muitos personagens são apresentados, contudo a narrativa é tão bem construída que consegue a incrível tarefa de não fazer o leitor ficar perdido com tantas figuras. Vários pontos de vista são apresentados, o suficiente para saber o que algumas pessoas sofreram quando a redoma surgiu na cidade. Inclusive uma forte passagem de uma habitante que tem sua mão do lado de fora da redoma enquanto estava fazendo jardinagem quando a redoma surgiu.

Além do problema “natural” que é a redoma, há pessoas em Mill que se aproveitam da situação para manipularem a população. Diversos acidentes acontecem, reais e forjados. Mentiras, acusações e um poder político e religioso despótico tomam conta da cidade. A população é um joguete na mão de poucos e indefesa tenta se apegar a algo palpável, mas que nem sempre é real.

A história foca em Dale Barbara, veterano do Iraque, que na cidade de Chester Mill trabalha como cozinheiro do restaurante local. Quando todos ficam presos na cidade ele se junta a outros habitantes que se recusam a ajoelhar a “ditadura” de Big Jim Rennie, político que decide manter o poder custe o que custar.

O livro é algo único, não porque trata de uma redoma mágica, como ela apareceu, e etc. E sim por tratar de instintos humanos, alguns que caem para o lado da sede de poder, sem limites, sem pudor. Enquanto outros que se tornam mais engajados nas causas sociais, na sobrevivência do próximo. Mesmo assim há alguns personagens que ficam na área cinza desses extremos e são os mais interessantes.

Sob a Redoma, faz uma crítica perspicaz sobre a sociedade consumista em que vivemos, a política e ao fanatismo religioso. Stephen King tira as rédeas do viver em uma sociedade funcional e mostra o que o ser humano é capaz de fazer numa situação de pura calamidade. Nesse livro o melhor e o pior da humanidade são expostos, não há tentativas de amenizar as situações, existem momentos bem fortes nessa narrativa.

Não se assuste com o tamanho do livro, mais de 900 páginas, porque após definir os personagens e a situação a obra flui que é uma beleza. Seu desfecho é recompensador, algo que às vezes o bom e velho King deixa a desejar, mas não nesse caso. A história prende desde o começo ao fim e fica uma dica para quem acompanha a série de TV, as coisas no livro ocorrem de forma totalmente diferente, só a essência que é a mesma. Recomendadíssimo a leitura de Sob a Redoma, porque é uma obra com grande dose de suspense, um bom estudo da condição humana, com muito mistério e um drama de alto calibre. É daqueles livros que quando você termina parece que um bom amigo foi embora.

Nota: 5/5

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