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“Hotel Éden”, clássico argentino, finalmente chega ao Brasil

by on janeiro 10, 2014
 

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Alguns escritores sofrem de bloqueio criativo, todavia o argentino Luis Gusmán, 69 anos, sobram histórias. Como resultado, ele faz uma salada mista de várias numa só. Também psicanalista (atende de segunda a sexta, das 7h30 às 19h30, e, para desgosto dos que se digladiam com o papel em branco, ainda encontra o tempo da escrita), Gusmán exerce essa competência desde 1973, quando movimentou a cena literária portenha com o experimental “O Vidrinho”.

“Hotel Éden”, romance de 1999 enfim traduzido no Brasil, só demorou mais de uma década, e que está sendo lançado pela Iluminuras (144 págs., 38 dilmas preço sugerido), é um exemplo bem acabado de seu talento para a reunião e a concisão. O autor diz que se trata de uma história de amor, mas, ao acompanhá-la, o leitor esbarrará em memórias envolvendo nazistas, transformações do período peronista, ruínas físicas e emocionais. Bem romântico.

O próprio estabelecimento que dá nome ao livro sugere as camadas narrativas que se sobreporão nas suas menos de 150 páginas. Fundado em 1897 por um ex-oficial do Exército alemão na província de Córdoba, o hotel Éden teve entre seus visitantes, reais ou eternizados pela lenda popular, presidentes argentinos, o príncipe de Gales, o poeta Rubén Darío, Che Guevara e um tal de Adolf Hitler. Fechou as portas em 1965, não sem antes ser usado como prisão de luxo, ao final da Segunda Guerra, para membros da diplomacia japonesa.

Esse é o cenário em que Gusmán baseia os vestígios do amor do escritor Ochoa e da cabeleireira Mônica — “Hotel Éden” é o nome do romance que o protagonista tenta iniciar há décadas, sempre topando em memórias com as quais não sabe lidar. Não bastasse ser o local da lua de mel com o fracassado amor de juventude, o hotel traz a Ochoa lembranças de uma infância anterior à derrocada financeira da família, quando o pai, caminhoneiro, podia se dar ao luxo de pagar hospedagem para as férias no suntuoso ambiente.

“Tentei mesclar com contextos políticos da Argentina, que aparecem como elementos secundários. O livro vai do micro ao macro, de histórias mínimas que formam a grande história”, diz Gusmán.

O amor de Ochoa e Mônica esbarra na rejeição dele ao fato de ela ser uma simples “garota que estuda por correspondência”, enquanto ele “não passa de um homem que não consegue viver sem ela”, como define o tradutor Wilson Alves-Bezerra no prefácio da edição brasileira. Se quiser encarar um romance com mais profundidade de conteúdo e histórica do que um Bridget Jones da vida, confira esse livro desse grande mestre portenho.

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LUIS GUSMÁN nasceu em Buenos Aires, Argentina em 1944. Desde a publicação de seu primeiro livro O  Vidrinho (1973), tem se afirmado em diversas obras, que vão da ficção ao ensaio, como um dos maiores escritores de sua geração.  Recebeu vários prêmios, entre eles o Boris Vian, outorgado por seus pares. Tem publicados no Brasil O Vidrinho, com prefâcio de Ricardo Piglia (1990); Villa (2001); Pele e Osso, apresentado por Beatriz Sarlo (2009); e como organizador, Sonhos, de Franz Kafka (2003) e Os Outros – Narrativa argentina contemporânea (2010), todos pela Iluminuras.

 

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