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Livro fala de 70 filmaços, ou não, que nunca irão ver a luz do dia

by on janeiro 6, 2014
 

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‘The Greatest Movies You’ll Never See’ (Os melhores filmes que você nunca verá, sem tradução até o momento) é  um livro bacanudo, que nos faz pensar o porque  que nunca ninguém pensou numa coletânea dessas antes. Entre mais de 70 projetos, desde a década de 1920 até hoje, a obra de 256 páginas traz os longas que nunca tiveram sinal verde de produção.

A compilação feita pelo jornalista Simon Braund reúne ensaios de alguns dos roteiristas mais experientes do mundo e foi realizada em formato ‘coffee table’, acompanhada por excelentes pôsteres que imaginam, de maneira divertida, como teriam sido os filmes. Na lista, só tem cineastas pica das galáxias, entre eles, Orson Welles, Alfred Hitchcock e David Lynch, em um relato do que pode ser considerado uma história alternativa do cinema.

Muitos dos projetos que não decolaram parecem maravilhosos. ‘The Aryan Papers’, um drama de Stanley Kubrick sobre o Holocausto, em que dois judeus assumem identidades católicas, seria seu trabalho seguinte ao filme ‘Nascido para Matar’ (1987). Mas foi arquivado logo após o sucesso de ‘A Lista de Schindler’, em 1993.

Ironicamente, Steven Spielberg tenta hoje tornar ‘Napoleão’, outra ideia de Kubrick nunca realizada, em uma série de TV. Caso tivesse sido feito, teria ocupado tanto tempo do diretor nos anos 1970, que ‘Laranja Mecânica’ (1971), um filme que tanto influenciou a cultura popular, não teria existido. Mesmo caso de ‘E.T.’, de 1982. O clássico não teria se tornado realidade caso Steven Spielberg tivesse insistido em uma produção sobre invasão alienígena ‘Night Skies’, que nunca decolou.

Muitos projetos atraíram nomes de peso, que tentaram ter suas propostas aprovadas. ‘Megalopolis’, de Francis Ford Coppola, é outro exemplo trazido pelo livro. Seria uma ampla e cara produção sobre um prefeito e um arquiteto que lutam para construir uma cidade dentro de Nova York. O diretor começou a escrever o roteiro de mais de 200 páginas em 1984, enquanto dirigia outros filmes e arrecadava fundos. Trinta horas de material teste foram filmadas e o estúdio United Artists iria bancar o filme, cancelado quando houve o ataque em Nova York, em 11 de setembro de 2001.

Talvez o projeto nunca feito mais interessante nessa compilação seja ‘The Captain and the Shark’ (O Capitão e o Tubarão), baseado no monólogo do personagem Quint – o caçador de tubarão. O longa sairia de um discurso de apenas três minutos e meio sobre torpedos que afundaram na cidade de Indianápolis. Spielberg achava que daria certo. Mel Gibson, JJ Abrams e Russell Crowe se interessaram pela ideia na época em que foi anunciada, em 2001, mas nada foi adiante.

O autor Simon Braund conclui que os estúdios são os maiores culpados por quase todos os fracassos. ‘Kaleidoscope’, a história de um serial killer que se excitava com água, foi um ousado projeto que Alfred Hitchcock tentou produzir no fim dos anos 1960, época em que o cineasta procurava fazer algo mais atrevido. Seu amigo François Truffaut notou uma “insistência em sexo e nudez”.

Quando o diretor de ‘Psicose’ apresentou a proposta – que consumiria menos de US$ 1 milhão -, ela foi vetada imediatamente pelo estúdio, que achou que seria uma mancha em sua “marca”. Hitchcock foi então realizar ‘Frenesi’ (1972) e morreu após seu filme seguinte, ‘Trama Macabra’, de 1976.

O livro apresenta também alguns projetos que tinham a gaveta como seu melhor destino. Caso de “Giraffes on Horseback Saladas” escrito pelo artista plástico Salvador Dalí para os irmãos Marx. Na trama, Harpo caçaria duendes em uma rede de borboletas. Seria uma tentativa de o artista espanhol levar seu estilo surrealista para o cinema comercial. Louis B Mayer, diretor da MGM na época, achou muito surreal e desistiu. Ainda na ala dos filmes que não deveriam ter sido feitos, estavam possíveis sequências de “Gladiador” (escrita pelo cantor gótico Nick Cave) e de “Casablanca”, que seria chamado “Brazzaville”, e tornaria o personagem principal, Rick Blaine (Humphrey Bogart), em um agente secreto.

Mais ridículo era ‘The Day the Clown Died’, de Jerry Lewis, um título que jamais foi lançado. A trama sobre um palhaço que trabalhava em um campo de concentração chegou a ser filmada, e, aparentemente, Lewis tem uma cópia. Se chegasse às telas, não teria a menor chance diante do excelente ‘A Vida É Bela’.

Apesar dos fracassos relacionados, um se destaca: ‘To The Sea’. Em 2002, os irmãos Cohen escreveram a história de um piloto da Segunda Guerra Mundial preso em terras inimigas. O projeto, que foi abandonado, teria Brad Pitt no papel principal. Hoje, mais de 10 anos depois, Angelina Jolie dirige ‘Unbroken’, sobre um aviador que sobrevive à queda de um avião no Pacífico e é capturado em terras inimigas, também escrito pelos irmãos Cohen. Será interessante ver o resultado de Jolie para um projeto que já foi fadado ao fracasso.

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