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Crítica – RoboCop (2014)

by on fevereiro 21, 2014
 

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Sim esse filme é um remake do clássico dos anos 80 de Paul Verhoeven yada, yada, yada… Todos sabemos que o original é um primor no critério ação, humor negro, paródia e sarcasmo. Essa refilmagem vai por uma outra abordagem, pegando mais leve, tendo uma censura de 13 anos ao contrário da de 18 anos do original, e mais voltado para uma crítica social descarada. O clássico ainda é bom até hoje, mas será que a nova visão desse personagem meio homem, meio máquina, mas 100% policial, tem um hardware potente?

Num futuro próximo, 2028, a violência corre solta nos Estados Unidos. É normal a utilização de robôs para combater o crime no mundo inteiro, apenas as leis americanas é que proíbem essa situação na terra dos yankes. Assim, o sistema judiciário americano trava a “festa” da Omni Consumer Products (OCP), líder do mercado nesse meio. Então entra na historia o bom policial Alex Murphy (interpretado pelo não muito carismático Joel Kinnaman) que após ser praticamente explodido e queimado por ordens de um chefe do crime organizado, volta à vida como um homem máquina.

“Nós iremos colocar um homem dentro da máquina”, e foi o que eles fizeram. Graças a OCP, Murphy retorna ao mundo dos vivos como o ciborgue RoboCop, um “produto” para vender ao público americano e ao congresso que autônomos na força policial são uma boa ideia. Algo que na teoria irá manter a lei e a população em segurança, sem contar que os policiais humanos ficariam fora de situações perigosas. Mas, obviamente, há motivos não tão nobres por trás dessa empreitada e cabe ao lado humano de RoboCop descobrir a verdadeira razão de sua existência.

Dirigido de forma crua, com vários cortes bruscos e sem frescura pelo nosso conterrâneo José Padilha (Tropa de Elite) esse filme é uma visão futurista que coloca questões morais inteligentes sobre inteligência artificial e controle remoto de armas de combate, sem ser muito pedante. Padilha pondera mais sobre como ficaria o lado humano num mundo onde as máquinas fossem cada vez mais inteligentes, ele realiza um filme mais sensível do que a versão original de 1987, mas também um filme um pouco mais maniqueísta, onde os lados do certo e errado são bem mais definidos. Sem contar que o longa se leva a sério demais as vezes. É bom lembrar que isso é uma ficção chamada RoboCop, então um pouco mais de humor seria uma boa adição nessa obra. Aliás, Samuel L. Jackson salva um pouco o lado do humor com seu personagem que é uma obvia parodia da Fox News. Poderiam ter atirado em mais alvos para ironizar e ter mais sequências de humor crítico como o original.

Os atores, tirando o principal, estão todos muito bem em seus papéis. Opa também esqueci que há outra “falha”,  Abbie Cornish como Clara Murphy, esposa de Alex Murphy também é doer. Ela só chora durante a projeção inteira, mas isso não é culpa da atriz, o personagem que é ruim. Destaque para Gary Oldman que dá humanidade ao cientista que coloca seus valores morais em jogo quando participa do projeto RoboCop.

O filme tem algumas surpresas, mas falha gravemente porque não há adversários marcantes nesse longa. Os “vilões” são sem carisma e presença, faltou alguém que desafiasse RoboCop moralmente ou fisicamente. Sem contar que a sub trama da família de Murphy tentando restabelecer um elo com o ciborgue também não é feita de um modo muito interessante, atrapalhando um pouco a trama principal.

José Padilha botou o pau na mesa e trouxe consigo para Hollywood muitos brasileiros de renome internacional, como Lula Carvalho (Budapeste, Tropa de Elite), responsável pela fotografia, Pedro Bromfman (Tropa de Elite 1 & 2), na trilha sonora e na edição Daniel Rezende, o mais famoso desses três, conhecido pelos gringos por seu trabalho em Cidade de Deus e A Árvore da Vida. Por conta disso o diretor encheu o peito nas entrevistas falando que esse é o primeiro filme brasileiro feito no exterior. E pode acreditar, manter o controle na sua primeira produção hollywoodiana, ainda mais sendo de fora, é uma grande vitória. Padilha mostra que pode logo de cara, imagina no futuro?

Esse remake é melhor do que muitos esperavam, principalmente os gringos que torciam contra desde o começo. Comparar com original é quase inevitável, mas tente não fazer isso, ao contrário desse critico, que você irá aproveitar muito mais essa boa refilmagem.

Nota: 3/5

Confira a opinião de Maze sobre esse filme aqui.

Trailer do novo RoboCop

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