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Crítica – RoboCop

by on fevereiro 25, 2014
 

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Revisitar clássicos dos anos 80 se tornou padrão para Hollywood em momentos de falta de criatividade, mas o público tem recebido esses remakes com muito receio, o Vingador do Futuro (2013) é um exemplo. Mas esse não foi o caso de Robocop, a MGM já demonstrava interesse em retornar com o personagem aos cienmas e coube a José Padilha o desafio de realizar tal feito.

Em 2028, a tecnologia utilizada difere pouco da atual, exceto pela presente nos campos militar/ segurança. Esse avanço é decorrente da atuação da gigante empresa norte-americana Omnicorp – que tem como foco fornecer drones militares para missões de pacificação em várias partes do mundo, substituindo soldados em ações de ocupação e controle de conflitos.

Entretanto, em solo americano a utilização dos drones é proibida por lei, sustentada pela opinião pública que é contrária à utilização dessa forma de segurança – impossibilitando a empresa de explorar um mercado de gigantesco potencial. Coube então ao presidente da Omnicorp, Raymond Sellars (Michael Keaton) encontrar uma brecha no sistema. A lei não permitia o uso dos drones, mas não dizia nada sobre transformar um humano em uma robô similar aos drones. Assim nasce o projeto Robocop, que visava entregar uma figura que a população se identificasse e, ao mesmo tempo, demonstrar com resultados a queda da criminalidade. O candidato perfeito ao processo de transformação decaí sobre o honesto policial Alex Murphy (Joel Kinnaman), que sofre um atentado após investigar uma série de crimes envolvendo uma parte da polícia corrupta de Detroid ligados a um chefe do crime.

Toda essa ideia é executada de modo convincente, sendo um dos pontos mais altos do filme – no qual o Robocop é utilizado como um instrumento de convencimento, combinando uma estratégia de marketing e mídia (participação sensacional de Samuel L. Jackson) com o objetivo de gerar influências políticas por uma série de ações inter-relacionadas.

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O outro grande momento fica na sequência de transformação de Murphy em Robocop. Além de ser uma das partes mais relevantes dentro da trama, todo o processo é detalhadamente mostrado, tendo as etapas bem fundamentadas e explicadas, com direito a um backgroud sobre os membros artificiais, relações de comunicação dos softwares com a mente humana na tomada de decisões e etc. Tudo isso contribui para um realismo difícil de ser visto em filmes desse gênero. A figura do cientista Dannett Norton (Gary Oldman) representa o lado das questões éticas envolvidas, que vão desde lidar com uma vida, até a oscilação entre a mente humana e o lado robótico.

A sequência final acontece em um ritmo acelerado demais, as questões surgem e se desenrolam com uma pressa que incomoda. Assim como as conclusões que ficam bem abertas e superficiais, deixando vários pontos sem grandes explicações (o que aconteceu com a Omnicorp?)

As cenas de ação com o Robocop demoram a começar e não são tão marcantes. Uma delas inclusive é confusa e deveria possuir uma carga de importância maior, entretanto fica em segundo plano. Também falta uma sequência que gera o importante “p0##@, que foda!”, inclusive acho que esse deve ser um dos principais pontos que desagradou o público norte americano, que preferem mais ação, uma história rasa e sem interpretações. Na realidade o filme não tem intenção de passar uma visão clara, há sim interesses diferentes e objetivos conflitantes entre todos os personagens, mesmo o Robocop em alguns momentos não fica no centro dos holofotes.

Comparar esse novo filme com o original é uma tarefa quase impossível, pois apesar de ambos compartilharem certos temas, a trama tem focos diferentes. Por exemplo, nesse novo filme há a presença da família de Murphy, que serviria para contribuir na composição do seu lado humano, porém acaba não acrescentando de forma consistente, tendo pouca relevância. Outra diferença fica em Detroid, que no original mostrava uma cidade infestada pelo crime e desordem, já nessa não há qualquer destaque sobre isso.

O Robocop de Verhoeven é um filme de ação com violência extrema, abordagem pesada e apesar de um tema inovador é relativamente simples em certos critérios. Já o filme de Padilha tem uma visão mais real e aprofunda bastante em outros pontos além de explorar algumas temáticas diferentes. O filme original é um verdadeiro clássico que influenciou uma geração, já esse nova abordagem é um excelente filme mas não um marco na história.

Nota: 7,5/10

Para outra opinião, confira a crítica de Azure Kid aqui.

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