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Stephen King – Novos projetos e aposentadoria ainda bem longe

by on agosto 25, 2014
 

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São poucos que podem dizer que passaram pela adolescência sem ter lido uma obra de Stephen King ou assistido algumas de suas muitas adaptações para o cinema. Um palhaço devorador de crianças em It (It: A Obra Prima do Medo no Brasil), uma fã psicopata, capaz de sequestrar e torturar seu objeto de obsessão, em Misery (Louca Obsessão) e um pai que tem sua sanidade afetada pelas forças sobrenaturais de um hotel em The Shining (O Iluminado) são apenas alguns dos terríveis cenários criados pelo autor, que já vendeu mais de 300 milhões de livros desde o lançamento do seu primeiro livro, Carrie – A Estranha, publicado em 1974.

Talvez você espere que Stephen King seja uma pessoa sombria, contundo ele não poderia ser mais simpático, rindo sempre que pensa sobre sua brilhante carreira, que continua a moldar. Aos 66 anos, ele diz que o desafio é “tentar e estar sempre estimulado, envolvido e ter algo no seu coração que você queira dizer que sinta que é importante para você.”.

Não é sempre tão simples fazer isso, mas todo autor tem um ‘local’ para explorar e escrever histórias sobre. Então eu penso ‘Você explorou este lugar o suficiente. Mas aí tem todos esses compartimentos secretos e outros detalhes para olhar”, adiciona King, que nasceu, cresceu e continua a viver em Maine, estado americano que com frequência é usado como inspiração para suas histórias

E nessa busca ele descobriu material ainda mais macabro para Revival (sem tradução em português por enquanto) que deve ser publicado ainda este ano.Revival é algo que eu acho que faria as pessoas lembrarem de O Cemitério Maldito”, diz o autor, se referindo ao seu romance de 1983 que foi adaptado para o cinema seis anos depois. “Há uma merda muito, muito assustadora ali,” ele adiciona sorridente.

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Capa de Revival nos Estados Unidos

No entanto, ele nunca se focou apenas em um gênero e continua assim com a publicação de uma história de suspense. Mr Mercedes (ainda sem nome em português), a primeira de uma trilogia de livros sobre um policial aposentado sendo ameaçado por um assassino.Meus editores iriam amar que eu escrevesse somente romances de horror, porque sentem que é um lugar onde eles estão confortáveis, mas eu sempre quis tentar coisas novas.”

Stephen de vez em quando escreve algo diferente e se prova muito bom nisso também. À Espera de um Milagre, um drama que narra a relação de um chefe de guarda de prisão e um de seus prisioneiros, foi adaptado para o cinema três anos depois. Em um mundo ideal, porém, ele gosta de trabalhar em uma obra de cada vez.Fico louco em ter que trabalhar em duas ou três coisas diferentes ao mesmo tempo, porque isso faz você se sentir como se fosse esquizofrênico, como se seu cérebro fosso dividido em partes diferentes.”

Outro projeto em andamento é o seriado Sob a Redoma, seu livro de 2009 (confira nossa resenha AQUI) que se tornou uma série de TV no ano passado. King produz a série, com Steven Spielberg e outros. Sob a Redoma é mais um sci-fi do que terror. O livro acompanha os acontecimentos dos moradores de Chester Mill depois de uma redoma impenetrável cair do céu e separá-los do resto da civilização.Meu conceito original era que essas pessoas iriam ficar presas por meses. Eu tenho uma situação e então eu quero ver até onde ela vai. É como seguir um fio, você apenas desenrola e vai onde quer que esse fio leve”, ele adiciona. Esse fio em questão levou “apenas” três semanas, e não os desejados três meses.

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Seriado baseado na obra Sob a Redoma

Eu me deparei com um certo grupo de puristas na página do Facebook dizendo, ‘A série de TV não é como seu livro! Era como seu livro no começo, mas mudou’ e eu simplesmente respondi, ‘Estendemos a linha do tempo’”, ele diz se fingindo irritado.Eu estava realmente entusiasmado com a ideia de ver o que aconteceria durante uma linha do tempo extendida”.

Assim como muito do que escreve, há um aspecto sociólogico em Sob a Redoma. Eu queria fazer Chester Mill um microcosmo de um mundo onde os recursos estão cessando, em que as pessoas se sentissem pressionadas pelo espaço e em que o ambiente em si estivesse se degradando. Porque nós todos estamos em uma redoma, estamos todos presos em um pequeno planeta azul.”

Ele admite que mesmo não sendo sua ideia, ele concorda totalmente com a segunda temporada da série explorando o que acontecia quando se descobre que sua população é muito grande para os recursos a disposição. O ditador Big Jim, autoproclamado líder de Chester Mill, interpretado por Dean Norris, começa a falar sobre realizar eutanásia em algumas pessoas que não estão contribuindo ou que não podem contribuir.É a pergunta do barco salva-vidas, se o barco está cheio quem você joga pra fora?”, comenta o autor.

Quando a segunda temporada foi confirmada, lhe perguntaram se ele gostaria de ter um papel mais ativo e então ele pediu para escrever o primeiro episódio.Escrever o primeiro episódio me deu a primeira pegada, e isso me deu a chance de direcionar o curso do resto da série, foi algo muito bom para mim. Eu também tive a chance de matar alguns dos amados personagens principais e isso foi divertido”, ele menciona, rindo, apesar de não divulgar quem.

Apesar de ser um leitor ávido desde a infância, nos últimos anos ele se envolveu mais no cenário televisivo, como um espectador, e também como produtor e contador de histórias.“Depois de finalizar o trabalho do dia, era quando eu costumava ler e assaltar a geladeira. Agora vejo TV. Eu tenho a tendência de assistir alguns episódios do mesmo seriado de uma vez como qualquer pessoa.”

King não deixou de mencionar os seus dias negros de bebidas e vício em drogas mas, com a intervenção da família, ele tem estado sóbrio desde o final dos anos 80. Ele passou por uma má fase em 1999, depois que ele foi atropelado por um carro enquanto estava caminhando. Ele ainda estava se recuperando quando fez comentários em 2002 que sugeriam que ele estava pensando em se aposentar.

Eu estava em um lugar ruim mentalmente e então me recuperei, e quando você se recupera eu acho que sua mente voltar a trabalhar de novo, e minha imaginação começou a trabalhar”, diz agora.

Então, o que dá calafrios a Stephen King? O seu grande medo é ser diagnosticado com Alzheimer. O autor Terry Pratchet, conhecido pela série de livros Discworld, por exemplo, foi diagnosticado com Alzheimer em 2010.Meu cérebro é minha principal ferramenta e eu não quero perdê-lo”, ele diz, porém admite que escrever está “mais difícil do que costumava ser”.

Eu não acho que tenho tanto a dizer quanto tinha, então escrevo menos. Mas ainda é o que eu sou bom em fazer e ainda gosto do que faço, ainda me faz feliz. Quando eu tinha 30, 40 anos, isso me fazia feliz todos os dias. Agora me faz feliz alguns dias e outros dias não.”

Pensando no futuro, ele acredita que o maior desafio será “saber quando calar a boca”. “Eu gostaria de deixar as pessoas querendo um pouco mais e não dizendo ‘Ele não é mais relevante’. Eu odiaria isso. Mas eu quero divertir as pessoas. É para isso que fui feito.” finaliza o rei dos escritores de terror.

Abaixo, veja trailer de novo filme baseado em uma obra de Stephen King, A Good Marriage (sem tradução oficial no Brasil).

Fonte: Independent.ie

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