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Walter Salles e Martin Scorsese, cada um no seu projeto, ajudam novos cineastas

by on maio 23, 2014
 

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Criada pelo Instituto Francês, a Organização Internacional da Francofonia, o Festival de Cannes e o Mercado do Filme, a “Fábrica dos Cinemas do Mundo” convida todos os anos dez diretores, de várias partes do mundo, acompanhados por seus produtores, que estejam desenvolvendo seu primeiro ou segundo longa-metragem. Eles recebem um acompanhamento personalizado, aprendem a se posicionar no mercado e a desenvolver uma rede de contatos profissionais. Uma boa iniciativa, não é mesmo?

“Participar deste evento é uma oportunidade única de receber notícias de cinematografias que conhecemos pouco. Se você entende o cinema como um instrumento de conhecimento do mundo, e eu acho que é isso que ele é, essa ‘Fábrica dos Cinemas do Mundo’ te possibilita receber essas notícias”, diz Walter Salles.

Salles, responsável por filmes como Diários de Motocicleta e Central do Brasil, cita um debate muito inspirador que teve com os participantes sobre a realidade do cinema em cada um dos seus países; ele confessa que aprendeu muito sobre a situação da Sétima Arte em latitudes muito diferentes.

“Não tinha ideia do que acontecia no cinema em Bangladesh nem da situação no Marrocos, onde tem três salas de cinemas; na Argélia é a mesma coisa, e no Laos tem apenas uma sala”, observa Salles, lembrando que, no entanto, os cineastas inventam formas muito criativas de exibição, levando projetores e telas para multiplicar a experiência e permitir o acesso das pessoas aos filmes que estão realizando.

Sobre os temas dos enredos selecionados, Walter explica que a maioria fala de crise de identidade ou de busca de identidade. “Quase sempre, essa crise ou essa busca reflete algo mais amplo: o momento específico pelo qual passa um país ou uma cultura. Esta sobreposição desvenda não somente muito da história, mas também daquele mundo específico. O outro ponto comum tem a ver com o que podemos chamar de ‘fogo sagrado’ que move cada um desses realizadores que, mesmo num momento tão difícil para a distribuição de cinema, ainda estão acreditando, estão habitados pelo desejo de propor esse reflexo de suas sociedades através de uma câmera. E é isso que deixa a gente bastante otimista”, reflete o diretor.

O fato de o Brasil não estar presente na competição pela Palma de Ouro não significa um enfraquecimento da produção nacional, segundo Walter Salles. Ele lembra que no Festival de Berlim o país esteve muito bem representado com “Praia do Futuro”, de Karim Ainouz: “Na paralela de Berlim tinha diversos filmes brasileiros também e devemos voltar à competição em Veneza, mas é muito difícil saber se os filmes brasileiros deveriam ter sido escolhidos, pois não vimos ainda os que foram selecionados e estariam competindo com eles”.

Walter considera que a cinematografia brasileira está renascendo depois de um longo momento em que a opção foi recuperar o público, o que transformou a comédia na tendência dominante, “mas esse gênero não viaja ou viaja pouco”.

Enquanto isso, o cineasta americano Martin Scorsese, o lendário cineasta responsável pelo novo clássico O Lobo de Wall Street e vários outros sucessos, sendo um deles Os Bons Companheiros, se juntou ao produtor brasileiro Rodrigo Teixeira para criar um fundo voltado ao financiamento dos primeiros filmes dos jovens talentos de todo o mundo durante os próximos três anos.

Em recente declarações à revista “Le Filme Français”, a produtora de Sophie Mars, da RT Features, uma empresa de Rodrigo Teixeira , informou que o fundo poderá financiar cinco filmes com orçamentos de até US$ 5 milhões cada. “Nós apresentamos os projetos e ele se encarregará de selecionar os escolhidos”, afirmou Sophie ao falar sobre o processo de seleção deste novo fundo.

De acordo com a fonte, os filmes financiados também não necessitam ser obrigatoriamente na língua inglesa. Fundado em 2005, a RT Features é uma produtora brasileira que já se encarregou de filmes como “Frances Há” de Noah Baumbach, e também ficou encarregado de produzir o próximo trabalho do cineasta James Gray (Amantes e Os Donos da Noite), intitulado “To the Stars”, uma ficção científica espacial.

É legal ver cineastas consagrados ajudando quem está começando. Falando em estreantes, confira a crítica da obra do diretor novato Stefano Capuzzi, A Grande Vitória. E não deixe de conferir a crítica do longa venezuelano Pelo Malo e assim conhecer um pouco dessa cultura que mesmo sendo nossa vizinha, é um tanto desconhecida por nós.

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