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Crítica – Guardiões da Galáxia (2014)

by on julho 25, 2014
 

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Estreia no Brasil 31 de julho.

No começo a maioria estava cética com esse filme… Quando foi anunciado que teríamos um filme sobre um guaxinim com um trabuco e uma árvore que repete a mesma frase o tempo todo, eu mesmo achei que a Marvel Studios estava exagerando. Então veio o primeiro trailer. Isso já conquistou minha atenção, mas James Gunn (Scooby Doo e Super) não parecia ser um diretor tão experiente. Bem, amigos, tenho o prazer em dizer que não há nada a temer. “Guardiões da Galáxia” é o melhor filme da Marvel até então. Sem dúvidas.

Para começo de conversa esse é um filme cheio de charme e que tem o melhor elenco da Marvel. Por enquanto pelo menos. E com a melhor química. Em “Os Vingadores” Robert Downey Jr rouba a cena com seu Tony Stark/Homem de Ferro (e Hulk tem seus momentos), mas em “Os Guardiões da Galáxia” todos tem sua chance de brilhar. Não há um Gavião Arqueiro, aquele que fica esquecido no canto. A dinâmica é espetacular, esse é um longa formado quase que exclusivamente de boas partes.

E sobre o que é a obra? Que bom que você perguntou. Em 1988, depois uma tragédia, o jovem Peter Quill é abduzido por uma nave espacial. Anos depois, agora adulto, ele é um bandido espacial chamado de Senhor das Estrelas. Bem, pelo menos ele se chama disso. Ele trabalha com o mesmo grupo que o levou para o espaço, liderados pelo bronco Yondu, mas decide trair a trupe mal encarada. Por quê? Quill surrupiou um misterioso Globo, que vale uma alta recompensa e o cara quer toda a grana para si. Mas esse artefato irá mudar a vida de Peter Quill para todo sempre. É algo bem mais importante e poderoso do que ele possa imaginar e será responsável em unir seu caminho com o de quatro outros desajustados. Juntos eles terão que salvar a galáxia, querendo ou não. Porque eles são alguns dos idiotas que vivem nela.

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Da esquerda para a direita: Gamorra, Peter Quill/Senhor das Estrelas, Rocky/Rocket, Drax e Groot

Já sabia que James Gunn iria acertar na ação, devido ao padrão Marvel nessa área, mas no que ele faz um gol de placa mesmo é com o humor. O próprio diretor disse que a inspiração desse filme é o primeiro Homem de Ferro, contudo essa produção tem um roteiro melhor e com ainda mais emoção do que o filme do latinha. A sequência de abertura do filme é quase tão devastadora emocionalmente quanto os primeiros dez minutos de “Up: Altas Aventuras”. Não achei que um filme de ação/comédia espacial fosse mexer com minhas emoções logo de cara.

Você vai saber se esse é o filme para você logo nos primeiros vinte minutos. Humor, sensibilidade e ação estão em harmonia nessa obra, e tudo isso nas mãos de outra pessoa poderia virar uma confusão sem sentido. James Gunn nasceu para dirigir “Guardiões da Galáxia”. Novamente citando o diretor, enquanto “Os Vingadores” são os “Beatles”, os mais populares, “Guardiões” são os “The Rolling Stones”. Um grupo rebelde, que começa pelas beiradas e quando você percebe já são tão grandes ou maiores que os outros maiorais. É impressionante como esse bando de ex-criminosos possuem mais personalidade do que qualquer herói (ok, talvez Tony Stark tenha mais) com roupa/armadura colorida que já vimos nas telonas. Gunn adora esses personagens e essa adoração é passada para o público, que se tiver alguma alma vai sair amando as figuras.

Eu falei que o roteiro  é melhor que o Homem de Ferro original, contudo isso não quer dizer que temos uma obra prima de história aqui. É algo bem simples. Um artefato poderoso. Todo mundo atrás do objeto. De repente é mostrado o que ele faz. Um grupo desajustados viram heróis. Os vilões fazem vilania. Hora da ação. E lucro para o estúdio. O que realmente torna “Guardiões” algo especial é a construção dos personagens e como todos nessa produção encaram ela com seriedade e estão mega confortáveis em seus papéis.

Ok, os vilões poderiam ser mais desenvolvidos, algo recorrente nas produções Marvel (só Loki escapa dessa maldição). Entretanto, eles não são péssimos. Ronan, o Acusador (Lee Pace) impõe respeito no visual, mas quase não tem personalidade.  Ele tem um ou dois bons momentos e só. Uma pena. E o mesmo vale para Nebula (Karen Gillan), que só tem destaque no final. O único vilão mais interessante é o que menos aparece, um “tal” de Thanos (Josh Brolin). Ele te deixa querendo mais, contudo isso ficará para o futuro. Em Vingadores 3 talvez?

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Poster do filme exclusivo na Comic-Con International: San Diego

Se você leu até aqui, pode perceber que falei muito mais dos pontos positivos do que negativos. Até porque quase não há negativos mesmo. Na primeira cena em que Rocket/Rocky (Bradley Cooper), Groot (Vin Diesel), Gamora (Zoe Saldana) e Peter Quill (Chris Pratt) se encontram, a sinergia deles é tão grande que parece que esses caras já estão trabalhando juntos há muito tempo. E quando eles vão parar na bizarra prisão espacial o grupo logo tromba com Drax o Destruidor (Dave Bautista), que, quem diria, é responsável por muitos dos melhores momentos do filme.

Essa produção é uma viagem. Você irá conhecer a Tropa Nova, vai passar pela estranha casa do Colecionador (Benicio Del Toro), um Liberace do espaço, irá esbarrar com Yondu (membro dos Guardiões da Galáxia originais nos quadrinhos) e sua trupe, etc. Os Guardiões da Galáxia se tornam o que são graças a seus remorsos: Drax quer vingança contra Ronan e Thanos em nome de sua família, Quill se culpa por uma tragédia com um ente querido, Gamorra não é filha do famigerado Thanos, mas sim um troféu que ele ganhou em combate, Rocket é um experimento genético bizarro e Groot é Groot.

Pratt comprova que é ótimo em comédia, como visto no seriado Parks and Recreation. O ator faz um Quill/Senhor das Estrelas heroico e que realmente tem tudo para ser o homem que ele diz ser. Saldana dá uma profundidade a assassina Gamorra bem além do que ela parece ter em uma primeira olhada. E como já disse, o Drax de Batista é ótimo. Ele é hilário e surpreende a todo o momento com seu personagem que leva tudo no sentido literal. Ainda mais se lembrarmos que o ator era “apenas” um lutador de luta livre. Rocket é um guaxinim frustrado por ser único. Sua personalidade é inspirada em Tommy DeVito, o personagem de Joe Pesci em “Os Bons Companheiros. Uma versão bem mais leve, claro. Cooper fornece uma voz nervosa  e com intensidade para essa estranha criatura. E por último temos Groot, um quase Pokémon, com a voz de Vin Disel. Diesel consegue dar complexidade para um ser que fica a o filme todo falando a mesma coisa, em várias intensidades diferentes para ser justo. E mesmo com essa limitação ele é um personagem fascinante. Pode anotar, Rocket e Groot vão ser os heróis favoritos da garotada de agora em diante. Pelo menos até Vingadores 2.

Esse é um belo filme visualmente. O diretor de fotografia Ben Davis é responsável por fazer um filme extremamente colorido e vibrante, e que mesmo com tanta energia em suas cores tem seus momentos sombrios.  Para os pais de crianças muito novas fica o aviso que filme tem um linguajar um pouco mais “avançado” que as produções Marvel normalmente possuem. Não é nada demais em minha opinião, entretanto teve gente irritada com certos diálogos do filme. Ok que sempre tem gente que se incomodada com qualquer coisa minimamente politicamente incorreta, então fica o aviso só pra constar.

E eu já falei da trilha? É perfeita! Segundo James Gunn as músicas do filme são da década de 70 e 80 porque elas são parte da memória de Quill sobre a Terra. E que seleção esse filme possui, sério, não há uma escolha ruim. As músicas não são intrusivas e complementam muito bem as emoções das cenas. Dá vontade sair do cinema e comprar/baixar a trilha na mesma hora.

A trilha do filme, conhecida como Awesome Mix Vol.1

“Guardiões da Galáxia” era antes dessa produção cinematográfica uma franquia nível B (ou seria C?) da Marvel. Mas que temos que dar graças a todos os deuses por esse filme existir e poder arriscar a fazer o que quiser. Até porque não havia tantos fãs chatos dos “Guardiões” para incomodar com as mudanças na adaptação. E agradecer ainda mais pela Marvel ter arriscado a investir em algo tão diferente. Graças ao dinheiro da Disney (lembrando que a Marvel é da Disney agora) foi possível colocar 200 milhões em uma estranha aventura espacial com um guaxinim e uma árvore falantes. É algo incomum, incomum e sublime. Não deixe de embarcar nessa grande aventura no espaço sideral que é tudo que a trilogia “nova” de Star Wars (Episódios 1, 2 e 3) gostaria de ter sido e nunca chegou perto de ser. Algo irônico, pois a trilogia clássica de Star Wars (Episódios 4, 5 e 6) é a maior influência de os “Guardiões da Galáxia”.

Capitão América: O Soldado Invernal foi o ápice da ação e espionagem esse ano, Planeta dos Macacos é o melhor na emoção e Godzilla trouxe o melhor da destruição. Contudo, o que une melhor tudo isso é Guardiões da Galáxia. Não é só o melhor filme da Marvel até o momento, mas o melhor filme blockbuster do ano, por enquanto, claro. Veja no cinema esses 121 minutos de pura adrenalina por tudo que é mais sagrado.

Nota:  5 Stars (5 / 5)

Para saber mais sobre os Guardiões das Galáxias nos quadrinhos confira a matéria: Conheça os Guardiões da Galáxias 

Também confira nossa críticas sobre Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do SantuárioPlaneta dos Macacos: O ConfrontoComo Treinar o Seu Dragão 2Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola outro filmes.

O trailer dessa super produção

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comentários
 
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  • joao neto
    julho 25, 2014 at 8:27 pm

    achei bem consistente sua crítica. Nem todos podem concordar mas eu gostei.

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  • Chrystian Ribeiro
    julho 26, 2014 at 12:27 pm

    Até sua critica eu não tinha interesse nenhum, mas agora fiquei até ansioso para assistir xD

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  • Duh
    agosto 18, 2014 at 4:21 pm

    Boa crítica mas pra mim esse filme merece no máximo nota 2. Não há história nenhuma, começa e acaba do nada e é repleto de falhas: como onde duas ceas de luta onde numa uma flecha está acertando vários guardas com armas onde nenhum reage só espera sua vez de morrer, a do Groots que ataca uma fileira de soldados e a fileira de lado também fica esperando sua vez de morrere spoiler do final: do nada o Peter Quill não é completamente humano seu pai era de outro mundo sendo que antes dele pegar o artefato em nenhum momento dava a entender que ele era algo a mais que humano, o roteiro forçou a barra nesse ponto “furo legal”. Sem tirar as lições de morais forçadas e o drama mexicano sobre a família do Drax que toda hora fica repetindo que a família morreu e tenta explorar esse drama batido ao invés de explorar o Rocket que seria bem mais interessante. E o vilão, quase não aparece e não é nenhum pouco ameaçador.Pra mim a Marvel comprou a crítica americana e os outros foram na onda dela. Nem de longe se compara ao último X-men esse sim uma obra-prima.

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  • Robert
    outubro 8, 2015 at 8:07 am

    Desculpe, mas depois de um ano eu leio essa sua crítica (Duh) e digo: você defecou pela boca, amigo…

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